O UNIVERSO PARTICULAR DO WALKMEN
Banda desiste de hits e lança disco conceitual em homenagem a Lisboa

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

Quando lançou seu primeiro disco em 2002, Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone, o grupo nova-iorquino The Walkmen estava predestinado a ser o mais alternativo entre as bandas que surgirão naquele turbilhão de renovação pop: Strokes, Yeah Yeah Yeahs, Rapture. E por alternativo entenda todas as matizes da palavra, inclusive aquela “poucos conhecem”. Com poucos hits no currículo, e menos famosos que seus compatriotas, a banda formada pela dissolução de outros dois grupos, The Recoys e Jonathan Fire*Eater seguiu construindo sua história através de fãs fieis. A sonoridade do grupo só ganhou com essa opção de estarem à margem. o som foi ficando tão sofisticado, agregando outros instrumentos, piano, orquestra e chegamos aqui, em Lisbon, o melhor disco da banda, que chega essa semana às lojas (e torrents) do mundo.

Stream | The Walkmen “Stranded”

Além de firmar um estilo autoral, algo difícil nesses tempos, esse novo disco do Walkmen mostra que a banda manteve a criatividade em alta desde o registro anterior, You&Me. É que os dois álbuns que se seguiram à estreia davam sinais de estagnação. Até então os únicos feitos tinham sido uma faixa no seriado teen The O.C. e o hit “The Rat”. Fora isso, sobravam comparações negativas com o The National e Interpol, que segundo a crítica tinham alcançado sucesso num estilo pós-punk que o Walkmen tentava seguir.

Lisbon soa como amadurecimento. As faixas não tem pretensão de soarem pop ou urgentes, nem mesmo há algo que se assemelhe a um hit. Talvez “Stranded”, o primeiro single, mas o interesse aqui é conseguir criar empatia com a obra inteira. Há ecos de experimentações do Velvet Underground, uma inspiração já assumida pelo grupo e construções mais soturnas, como um Cocteau Twins um pouco mais pesado. Ouvintes fiéis do grupo perceberão que as guitarras do Walkmen ainda marcam presença, mas agora dividem espaço com piano e outros instrumentos, ainda mais do que antes. E isso é bom.

O líder Hamilton Leithauser disse que o disco foi feito em homenagem à cidade que o batiza. A banda teve duas passagens memoráveis por Lisboa e este álbum é a tentativa de transpor tudo que eles sentiram na capital portuguesa. Bom momento para descobrir o Walkmen.

THE WALKMEN
Lisbon
[Fat Possum, 2010]

NOTA: 8,5

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