The Spirit (Foto: Divulgação)

PERDIDO ENTRE PAPEL E TELA
Hollywood destrói adaptação do quadrinho The Spirit que conta com interpretações medíocres de Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson e Eva Mendes

Por Lidianne Andrade

Ficou em algum lugar, que não na tela, o ingrediente “sucesso” da adaptação de um dos quadrinhos mais idolatrados pelos fãs do gênero. The Spirit, desde a última sexta-feira nos cinemas nacionais, poderia ser um daqueles HQs a continuar intocado pelos diretores hollywoodianos, poupando os fãs da perda de tempo de ver seus personagens preferidos em situações descaracterizadas, disformes e em algumas vezes embaraçosas.

Nesta aventura sem sal o defensor da Central City aparece como um galã irresistível e beijoqueiro, que derrete até as mais malvadas, como a francesa vestida de indiana com espadas e bailando a dança do ventre (por ai dá para sentir o nível das coisas). O belíssimo Gabriel Macht dá vida ao galã mascarado de voz rouca, sedutor de ladras, médicas, vilãs e policiais… e tudo que usar vestido. Interpretação não menos constrangedora que a do astro Samuel L. Jackson como o vilão Octopus, que ao contrário do quadrinho, mostra seu rosto com closes em caras e bocas bizarras. Nem as ladys Scarlett Johansson e Eva Mendes dão animo a trama, e olha que o charme esbanjado tenta. Ao menos a sensualidade das musas nas páginas desenhadas foi transmitida com louvor.

A fotografia do filme deixa a desejar, não em técnica, mas pela sua escolha, estilo preferido do diretor Frank Miller, mesmo de 300 e Sin City(co-diretor). A mixagem do preto e branco com o colorido é digna de aplausos, causando impacto na tela. Realidade e ficção se misturam em efeitos de primeira categoria, mas aliados à trilha sonora de desenho animado, deixa o longa em transição entre um desenho televisivo super extenso e um filme propriamente dito.  No quesito caracterização, o crédito fica com os patrocinadores. O quadrinho é da década de 40 e o figurino e cenário tentarm ser fiéis, mas o abuso de celulares, notebooks e pagers é hilariante.

Adaptar os quadrinhos à telona tornou-se um problema para hollywood e talvez o motivo de The Spirit não vingar nos cinemas norte-americano no final de 2008, quando estreou por lá. O fator “fidelidade” ao original ainda pesa muito nas bilheterias. Ou o diretor é um gênio para fazer o fã esquecer a história original, que falem X-Men e Homem Aranha, ou morrerá na praia. Se este for o peso da balança para as bilheterias subirem por aqui, podem retirar da exibição neste momento. Spirit ganhou poderes de auto-cura na versão cinematográfica, além de ter dado um rosto ao Octopus, fator revoltante para alguns fã, quando nos quadrinhos ele no máximo aparecia por uma luva.

Visual ousado, inovador, mas roteiro nada agradável. A idéia de levar aos cinemas não apenas fãs das revistinhas ficou muito distante de ser alcançada dessa vez. Afinal, para cativar não-fãs precisa muito mais que um flashback tolo da origem do personagem como explicativo e acréscimo de cenas cômicas na trama original. As piadas sem sal e carregadas de teor político-ideológico não foram bem encaixadas. Os diálogos longos alternados com narração em off muito menos. Samuel L. Jackson vestido de Hitler? No coments! Para os fãs que não querem ver o justiceiro mascarado ser destruído, a melhor pedida é ficar em casa.

NOTA: 3

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