The Shins

THE SHINS
Wincing The Night Away
[Sub Pop, 2007]

The Shins - Wincing The NightO indie-rock tem dessas coisas. Uma banda lança um disco, que em si mesmo não traz nada de novo, mas pode mudar sua vida. O The Shins representa muito bem essa idéia. Formado em 1997, no Novo México, a banda já lançou três discos, um deles ainda com o provisório nome de Flake Music. Ao lado do Decemberists, representa a nata do indie-rock, este rótulo tão restrito e pobre, que no fundo não significa muita coisa. Quando começou o ano, Wincing The Night Away vendeu 200.000 cópias e levou a banda para o segundo lugar das paradas de discos. Outro trunfo foi a Natalie Portman ter dito no filme Hora de Voltar, “The Shins vai mudar a sua vida”.

De fato, pode até mudar, e pra isso bandas como essas são feitas. Elas mudam a sua vida. Mas só a sua. O som onírico do grupo, remete à Brian Wilson buscando a melodia perfeita, mas o grupo agrega outras referências, como as guitarras anos 90 do R.E.M.. James Mercer, vocal e frontman coloca emoção nas letras e arranjos do disco. Pensado para emocionar, este disco cria um vinculo instantâneo no ouvinte, uma relação. É impossível não transforma-lo na trilha sonora de um momento importante de sua vida. O primeiro single “Phantom Limb” é arrebatador, com um refrão cheio de falsetes. “Australia” e “Comet Appears”, estratergicamente abrem o disco; são melancólicas mas ao mesmo tempo alegres, uma característica de toda banda de indie-rock (alguém citou o Camera Obscura?).

Pra quem já conhecia os discos anteriores da banda, “Sea Legs” é uma faixa ousada na sonoridade, com vocais com ecos, arranjos pomposos e programações, uma inovação na estética do Shins. “Red Rabbits” é tão simples e singela, uma calmaria reflexiva, se destacando pelo belo arranjo de cordas. O disco finaliza com “Turn On Me”, um bela canção, com um refrão melancólico como a primeira faixa. The Shins é a sua trilha sonora particular. [Paulo Floro]

NOTA: 9,5

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