Com fortes momentos musicais, o filme The Runaways usa a música para dizer aquilo que algumas cenas não conseguem nos dar

Por Juliana Dias
Colaboração para a Revista O Grito!

The Runaways é um daqueles filmes onde a trilha chama mais atenção que a trama, não só por contar a história da banda homônima, mas por ter os momentos mais dramáticos potencializados pelo som, já que as cenas, muitas vezes, nos deixam a desejar. Com o roteiro escrito pela própria Cherry Bomb (apelido da Cherrie Currie) e a diretora Floria Sigismondi, o filme conta parte da história (e, principalmente, da criação) da banda The Runaways, focando nos papéis das integrantes e fundadoras Joan Jett (interpretada por Kristen Stuart) e Cherrie Currie (Dakota Fanning). Um terceiro personagem também não é esquecido: o do produtor e criador de muitos dos sucessos da banda, Kim Fowley, do ator Michael Shannon. Sempre maquiado, Fowley dá fôlego às cenas com uma atuação marcante, criativa e impositiva do produtor da banda.

A trama se mostra fiel à história da banda, mas algumas vezes, cai em clichês da temática do rock. Alguns temas como drogas, turnês e manchetes de jornais aparecem na tela ao longo do filme, quebrando o impacto inicial e, ainda a expectativa de uma produção e pós-produção tão grande que a história da banda nos remete. Se, por um lado, é mostrado o rito de passagem de Cherrie (tímida e por vezes virginal) e Joan (agressiva e rebelde) em pioneiras do punk dominado pelo mundo masculino, do outro lado, falta o aprofundamento dessas mesmas personagens darem vazão àquilo que elas sentem, da rebeldia aos anseios.

Então, é por meio da música que Kristen Stuart e Dakota Fanning mais desenvolvem as suas personagens, deixando escapar aquilo que elas assimilaram de cada uma das interpretadas e os diálogos não deixam aparecer. A maioria das músicas são cantadas pelas próprias, com direito a gravação e muitos ensaios no processo. Por isso mesmo, quem busca a mesma Kristen Stuart da saga do Crepúsculo não irá encontrar; muito menos, a pequena Dakota Fanning que, pasmem, cresceu e não tem nada mais daquela menininha aflita do filme a Guerra dos Mundos. Mas, isso ainda é pouco para o que as atrizes poderiam dispor na defesa de suas personagens. Além das músicas originais do próprio Runaways, a trilha sonora oficial do filme ainda conta com The Stooges e David Bowie, que dispensam grandes apresentações.

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A direção de Floria Sigismondi, veterna no universo dos videoclipes, mas iniciante na carreira nas telonas, não fez jus ao estilo visionário dessa fotógrafa e diretora. O filme não é nem impecável do ponto de vista técnico, já que carece de carisma. The Runaways é um ótimo ponto de partida para as novas gerações conhecerem uma das principais referências do punk rock feminino, aquele que vem lá dos anos 70 e colhe suas sementes ainda hoje, nas tantas bandas que surgiram depois do caminho trilhado por elas.

THE RUNAWAYS
Floria Sigismondi
[EUA, 2010]

NOTA: 6,0

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=OTpdXKocacQ[/youtube]

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