Indie rock melancólico com jeitão de album clássico

The National / Foto: Nicholas Burnham

THE NATIONAL
Boxer
[Beggars Banquet, 2007]

The National - Boxer Influenciados pelo sadcore alternativo do American Music Club, The National é uma espécie de Joy Division pós-moderno. A banda consegue, ao incluir orquestrações sofisticadas em suas músicas, transitar entre o country, o indie, o chamber-pop e o slowcore, soando como Tindersticks ou The Devastacions.

Produzido por Peter Katis (responsável por trabalhos do Interpol e do Spoon), o quarto disco desse grupo de Ohio, Estados Unidos, formado no fim dos anos 90, segue quase a mesma linha dos trabalhos anteriores (com destaque para o elogiado Alligator, de 2003). A única diferença é a sofisticação das músicas, que insere em Boxer um jeito de álbum clássico. Os responsáveis por isso são as orquestrações exuberantes de Padma Newsome (The Clogs) e o piano sobrenatural de Sufjan Stevens, presentes no álbum.

Carregado de tristeza, obscuridade, composições reflexivas, guitarras melancólicas, bateria tensa e marcante (de Bryan Devendorf), baixo onírico e da voz profética e visceral (a lá Ian Curtis) de Matt Berninger, Boxer começa com “Fake Empire” ao piano, uma balada melancólica de cortar o coração no estilo de Leonard Cohen.

“Mistaken For Strangers”, “Brainy”, “Apartment Story” e a nostálgica “Guest Room” são um pouco mais aceleradas, puxando para o indie rock. O sadcore atinge seus momentos máximos em canções mais lentas como “Slow Show”, “Ada” e “Gospel”. Atenção também para texturas mais etéreas de “Squalor Victoria”, o folk-country de “Green Gloves” e para os arranjos delicados de “Start A War”, que fazem de Boxer um disco preciso e intimista. Com canções atmosféricas que migram de uma sensação de conforto e introspecção a mais profunda tristeza, esse novo trabalho do National é um sério candidato a melhor álbum de 2007. [Mariana Mandelli]

NOTA: 9,0

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