Paul McCartney (Foto: Divulfgação)

A VIDA DE MACCA
Ex-beatle cai na verve mercantilista e comercializa todo seu registro de imagens em DVD triplo que conta com vídeoclipes, documentários, entrevistas e trecho de shows
Por Fernando de Albuquerque e agências

No currículo, ele traz o récorde de mais de 30 álbuns distribuidos entre projetos que vão de música clássica, eletrônica até o pop rock que o consagrou. E parece que impressionante, também, é a lista de vídeos protagonizados (mesmo que secundáriamente) pelo ex-beatle sessentão que fez vanguarda divulgando Maybe, I’m Amazed mesmo antes da MTV ser uma mera idéia na cabeça das gravadoras. Em toda essa trajetória, Macca (como é chamado pelos mais íntimos) deixou uma miríade de registros visuais que, agora, ganham corpo em um DVD triplo intitulado The McCartney Years, da Warner Music. Lançado nos últimos suspiros de 2007, os vídeos chegam às prateleiras brasileiras e estão vagando, tal como fantasmas, nas páginas do Mininova. Mas a versão original está repleta de extras com clipes, entrevistas, docs, partes de shows e por aí vai.

As imagens versam sobre trajetória do quarteto de que McCartney fez parte é, talvez, a história mais conhecida de toda a historiografia da música pop, o fim do grupo, o casamento do cantor com a fotógrafa Linda Eastman (vitimada pelo câncer de mama e, de longe, seu grande amor). E diferente das carreiras de seus colegas do beatles Macca teve uma trajetória cheia de altos e baixos. Sendo vilipendiado pela crítica quando esteve à frente dos Wings (banda que manteve sua ex-mulher, Linda) e massacrado pela mídia quando anunciou o fim dos beatles sem consultar John, George e Ringo. Desencandeando uma das maiores crises da música já conhecida.

O devido distanciamento temporal facilita a correção de erros de interpretação e redimensiona o valor de fatos e trabalhos artísticos e até mesmo os antigos algozes de Macca, hoje, o coroa, sem rancor, sobre seus maiores sucesso. E quem baixar ou comprar o The McCartney Years vai apreciar não só o que marcou época como “Ebony And Ivory” num dueto com Stevie Wonder,
“Say Say Say” em dobradinha interessante ao lado de Michael Jackson,
“My Love” e “No more Lonely Nights”, como também acompanhar a evolução do formato do videoclipe – que somente na década de 1980 começaria a voar mais alto.

No disco um, por exemplo, poucos vídeos são ousados esteticamente (caso de “Band On The Run”). A maioria apresenta Paul, Linda e os músicos dos Wings juntos em cenários dos mais básicos, em ângulos e movimentos de câmeras convencionalíssimos e com efeitos visuais notoriamente datados. Em alguns casos, a simplicidade funciona a favor do vídeo, como em “Maybe, I’m Amazed”, com sua justaposição de fotografias de Paul, Linda e a filha da fotógrafa, Heather. Vale arregalar os olhos e ver repeditas vezes (usando muito o forward e rewid) para ver o jovem casal ao lado de um Jackson meio petrolado.

Já no disco dois está a maioria das produções das décadas de 80, 90 e 00 com idéias mais elaboradas. O de número três é, talvez, o menos interessante com entrevistas, palhinhas com violão, shows importantes que imortalizaram o cantor.

Para aqueles fãs meio xiitas, o The McCartney Years pode decepcionar pela ausências de alguns vídeos e pelas legendas em português lusitano que incomoda o mais ferrenho dos puristas. Já para aqueles que buscam mera diversão ou então mais um item para sua coleção o DVD é um prato cheio e sem merchandising.

THE MCCARTNEY YEARS
DVD Triplo de Paul McCartney
[Warner, 2007]

NOTA: 7,0

McCartney fala da produção de seu DVD triplo

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