Long Blondes (Foto: Divulgação)

Produzido por Erol Alkan, novo do Long Blondes acena para o dance
Por Mariana Mandelli

THE LONG BLONDES
Couples
[Rough Trade, 2008]

Esqueça aquela história de Franz Ferdinand de saias, postura punk e o disco anterior, o ótimo e elogiado Someone To Drive You Home (2006). Baixou o espírito da música eletrônica e da new wave de vez em Kate Jackson (vocal), Screech Louder (bateria), Emma Chaplin (vocais e guitarra), Reenie Delaney (baixo) e Dorian Cox (guitarra), mais conhecidos como The Long Blondes. Após o play em Couples, o novo trabalho do quinteto inglês, tudo que sai das caixas de som pode ser qualquer coisa, menos a banda que soava como um Pulp cor-de-rosa. Adeus, Ramones; olá, Siouxie and the Banshees: o álbum soa como uma mistura de indie rock, lo-fi, disco dance e Blondie.

A faixa de abertura, “Century”, já introduz um clima futurista com elementos eletrônicos estilo anos 80. “Guilt” tem guitarra dançante (alguém aí se lembrou de Bee Gees e John Travolta rebolando?); “Too Clever By Half” apresenta a voz de Jackson em falsete, clima sexy e batidas lentas; “Nostalgia” é toda baseada em sintetizadores e teclados e “Round The Hairpin” tem texturas hipnóticas.

Claro que nem tudo é inovação: a banda pisa em terreno familiar com os riffs de “The Couples”, o ritmo frenético de “I Liked The Boys” e a bateria energética de “Here Comes The Serious Bit”, que ainda são vestígios da sonoridade do primeiro disco. As letras, de um modo geral, falam de relacionamentos e dilemas pessoais, além de fazerem referências culturais a nomes como Kenny Everett, Terry Wogan, Erin O’Connor e Peter Sellers, entre outros.

A produção do DJ Elron Alkan deixou as dez faixas do disco sonicamente inovadoras para o ritmo que a banda vinha fazendo desde o debut. Mais coeso que seu antecessor, Couples também é mais tenso, obscuro e climático. Não é melhor do que Someone To Drive You Home e nem é um ícone de originalidade da música atual, mas o Long Blondes merece consideração só por ter tido a coragem de mudar tudo.

NOTA: 7,0

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