Meninos bonitos e felizes ou Quando o indie quer ser mainstream
Por Mariana Mandelli

THE KOOKS
Konk
[Astralwerks, 2008]

“I hope that everyone puts it on. And it makes them feel great”. Essa declaração foi dada por Luke Pritchard, vocalista do The Kooks, sobre o novo disco do grupo, Konk. A banda acredita piamente na idéia de que a música deve servir para deixar as pessoas felizes – tão felizes a ponto de, é claro, comprarem os discos.

Bebendo excessivamente da mesma fórmula que fez “Naive” e “Ooh La”, faixas do debut Inside in Inside Out (2006), virarem hits do verão britânico e fazerem o disco ser o mais tocado nas rádios dos últimos dois anos, Konk é quase um guilty pleasure de tão inofensivo – nas palavras do Kasabian, o Kooks faz “música para garotas”.

As treze faixas (contando a hidden track) são descaradamente comerciais e mostram o empenho da banda em manter o sucesso já consquistado. Migrando do indie rock para pop, a banda preferiu ficar no terreno seguro, sem correr riscos de experimentar. O álbum em si não é ruim – o problema é a cara-de-pau da banda em lançar um disco que mais parece uma versão soft do anterior.

É verdade também que não se pode negar a produção impecável do novo trabalho que, somada ao pop rock totalmente “catchy” que o grupo faz – aliás “catchy” (algo como atraente) é o que mais define a música do Kooks – prova que nem a substituição do baixista Max Rafferty por Dan Logan abalou a sede de mainstream do grupo.

Orquestrações milimetradas, guitarras efervescentes, melodias energéticas e letras bobas sobre amores e desamores: os mesmos elementos de sempre estão em Konk. “Always Where I Need To Be”, primeiro single, tem refrão grudento; “See the Sun” tem riffs elétricos; “Gap” é atmosférica; o beatpop de “Mr. Maker” te faz querer bater palmas junto e “Do You Wanna” é a mais divertida do disco.

Konk com certeza vai cair nas graças do público, porque é exatamente o que se esperava do Kooks. Os britânicos podem esperar mais um verão com a banda tocando nas rádios sem parar, distribuindo alegria a todos os seus ouvintes. Enquanto isso, alguém precisa apresentar Joy Division e Morrissey para Luke Pritchard e sua turma da felicidade.

NOTA: 6,0

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