Fiery Furnaces acerta a mão na ironia e bom-humor

The Fiery Furnaces (Amy Giunta i-D Magazine)

THE FIERY FURNACES
Widow City
[Thrill Jockey, 2007]

The Fiery Furnaces - Widow CityComparados no início aos White Stripes, o duo do Brooklyn (EUA), The Fiery Furnaces, formados pelos irmãos Matthew and Eleanor Friedberger sempre soou mais alternativo e inusitado. Estas características ainda permanecem fortes em Widow City lançado este mês pelo novo selo do grupo, Thrill Jockey, de Chicago. Entretanto, a banda nunca soou tão acessível em relação ao seus discos anteriores. Para alguns, aí está o problema. Para outros, nada mais é que um avanço na sonoridade do grupo em busca de mais sucesso.

Puro exagero dos detratores. A espinha dorsal da banda, a esquisitice, ainda continua. Podemos não sentir a mesma vibração de Blueberry Boat (2004), considerado o melhor disco até agora, mas após algumas audições temos noção que a banda acertou o passo neste novo trabalho. “Clear Signal From Cairo” é prova disso. Começa lenta, depois animada, ganha um solo de guitarra no meio, se transforma em um pesado hard-rock, tudo pontuado pela frase “It’s so clear, it’s so clear, it’s so clear”. É um disco para ser digerido aos poucos. De fato, se você não for um amante da banda, poderá até se irritar em algumas passagens. Algumas músicas trazem belos arranjos que, de repente, recebem vários elementos que “a destroem”.

Há muito o que se descobrir em Widow City. Entre elas, “My Egptyan Grammar”, uma romântica performance quase declamada. Esse mise en scène é algo muito particular do Fiery Furnaces e ele nunca foi tão bem usado como neste disco, como em “Ex-Guru” e “Automatic Husband”. Como se comandasse um espetáculo, a banda não deixa o show morno em nenhum momento, pontuando de ironias e bom-humor vários momentos. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0

Sem mais artigos