Dresden Dolls (Foto: Oleg/ Divulgação)

NADA DE NOVO NO FRONT
Novo disco é continuação do Yes, Virginia lançado dois anos atrás, traz gravações dessa mesma época e de b-sides pouco referentes
Por Mariana Mandelli

THE DRESDEN DOLLS
No, Virginia…
[Roadrunner, 2008]

Uma mistura de cabaré, punk e indie rock. Assim é que se configura o som dos americanos da Dresden Dolls. Naturais de Boston a banda começou a se formar no início da década e que agora chega ao seu quarto disco, No, Virginia…. Definindo seu estilo musical como “cabaré punk brechtiano”, inspirado no movimento artístico Cabaré Dark, Amanda Palmer (vocal e piano) e Brian Viglione (guitarra, bateria e vocal) reuniram no álbum uma série de raridades e lados B, além de uma ou outra novidade e de canções executadas somente ao vivo (algumas registradas no Roundhouse DVD) e que ainda não haviam sido gravadas em estúdio.

No Virginia… é o sucessor do elogiado Yes, Virginia (2006). Contudo, ambos foram gravados ao mesmo tempo e lançados em épocas diferentes. Ou seja, é, de qualquer modo, material antigo, quase um “resto” do seu antecessor, e que não retrata o atual momento a banda. Mas ainda sim é um bom álbum que resume a originalidade do som da dupla.

A nova “Dear Jenny” é, a seu (estranho) modo, contagiante e exibe o timbre elegante de Palmer com seus “oh oh oh” – assim como a quase sinistra “Gardener”, que divide as onomatopéias com sussurros.

“Night Reconnaissance”, “Ultima Esperanza”, “Sorry Bunch” e “Pretty In Pink” são canções de um piano rock marcante com referências pop, enquanto as influências punk afloram na rápida “Lonesome Organist Rapes Page Turner”. “The Sheep Song” é quase o oposto dessas todas: praticamente uma canção de ninar, ela foge das orquestrações tensas para privilegiar a voz de Palmer.

A obscura porém delicada “Mouse And The Model”, uma demo antiga, é uma balada desesperada que mexe com os dois lados da alma feminina: a agressividade e a leveza (como uma boneca, fazendo uma alusão ao nome da banda). “The Kill”, outra balada atormentada, aposta na mescla entre bateria martelada e a sutileza do piano. O disco termina com “Boston”, faixa de assombrados sete minutos de introspecção vocal e instrumental.

NOTA: 7,0

The Dresden Dolls – Night Reconnaissance

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