THE CRIBS
Men’s Needs, Women’s Needs, Whatever
[Wichita, 2007]

The Cribs é mais uma dessas bandas que conseguiram seu espaço na enxurrada indie que invadiu a internet nos últimos quatro anos. Formado “oficialmente” em 2003, o grupo é composto pelos três irmãos Jarman: o vocalista e guitarrista Ryan, o vocalista e baixista Gary e Ross na bateria, o que torna o Cribs uma espécie de “banda família”, no estilo do Kings Of Leon.

Os ingleses de Yorkshire começaram a tocar juntos ainda na década de 80, em festas de família – detalhe: os gêmeos Ryan e Gary tinham nove anos e Ross apenas cinco. Os meninos cresceram com gostos musicais comuns, o que justifica as principais influências da banda serem essencialmente baseadas no rock britânico – Beatles, o punk do Sex Pistols e o pop-rock maravilhoso dos Smiths. As influências além-mar vieram dos Estados Unidos, de grupos como Beat Happening e Bobby Conn – vale citar que, depois da fama, o Cribs já tocou com ambos.

O début da banda veio com o álbum The Cribs (2004), que agradou a crítica e lançou o single “You Were Always the One”. Logo em 2005 veio o segundo disco, The New Fellas. Dois anos depois a banda lança seu terceiro: Men’s Needs, Women’s Needs, Whatever, gravado em Vancouver, Canadá, e que conta com a produção de Alex Kapranos, o frontman do Franz Ferdinand.

O jeito descompromissado da banda, de quem está se divertindo – mas também quer divertir – está presente nesse novo trabalho. Men’s Needs. Um álbum direto e decidido, que denota a atitude e a força da banda. As letras, a maioria de tema romântico, foram escritas pela própria banda, o que torna as composições ágeis, sinceras e interessantes como as letras de bandas como Strokes e Arctic Monkeys.

Men’s Needs começa agitado com a chatinha “Our Bovine Public”, de letra hostil e irônica. “Girls Like Mystery” já é mais agradável, com riffs viciantes, refrão com coro e um jeitão meio Strokes. Mas o álbum só engrena mesmo a partir das duas músicas seguintes – que, por sinal, são as músicas de trabalho da banda: “Men’s Needs” e “Moving Pictures”. A primeira é um single incrível: tem guitarras deliciosas logo de cara e uma letra sincera com um refrão berrado que fica na cabeça por dias (“Men’s needs, men needs!”). Já a segunda é quase uma balada, sustentada por guitarras ruidosas.

Já “I’m A Realist”, mesmo com guitarras articuladas e uma surra final na bateria, consegue soar como uma canção fofa, contrastando com a seguinte, a porrada “Majors Titling Victory”. “Women’s Needs”, em contraponto à sua rival “Men’s Needs”, é mais suave, mesmo sendo puro indie rock com guitarras distorcidas e barulhentas no desfecho. O destaque vai para “Be Safe”, que tem a letra quase toda proclamada. É a canção mais longa do disco e conta com a participação de Lee Ranaldo, do Sonic Youth. [Mariana Mandelli]

Nota: 7,5

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