The Breeders (Foto: Divulgação)

A REDESCOBERTA DOS BREEDERS
Ao completar 20 anos de carreira, as gêmeas Deal retomam projeto lo-fi que as fizeram famosas
Por Paulo Floro

THE BREEDERS
Mountain Battles
[4ad, 2008]

Seis anos de silêncio não significa muito para uma banda que teve apenas um único hit em toda a carreira e lançamentos irregulares – média de dois discos por década. Seis anos após Title TK (2002), o The Breeders libera esta semana, Mountain Battles, o quarto trabalho desde a formação, em 1988.

O lançamento vem num bom momento para a banda. Recuperada de uma frustrada volta dos Pixies, sua antiga banda, a vocalista Kim Deal retoma a parceria com sua irmã gêmea, Kelley e reconstrói o grupo para comemorar 20 anos de carreira.

A história do The Breeders é mais um caso típico do rock dos anos 1990, onde bandas conseguiam prestígio, mas não alcançavam sucesso comercial. Liderada por Kim Deal, o grupo ficou conhecido pela música “Cannonball”, do elogiado álbum Last Splash (1993). Os dois discos anteriores, Pod (1990) e o EP Safari agradaram a crítica, que viu na banda uma mistura de experimentalismo com o lo-fi que imperava no início dos anos 90 (vide Pavement, Guided By Voices, Yo La Tengo).

O que se seguiu ao hit não foi lá muito proveitoso para a banda. Kelley, a irmã gêmea má se afundou nas drogas, os integrantes se dispersaram e para completar, as coisas no Pixies, a outra banda da líder dos Breeders não iam lá muito bem, com brigas internas e troca de desaforos em público. Só quase dez anos depois, a banda tentaria retomar a carreira, ainda apoiado no único sucesso “Cannonball” e na fama no meio alternativo dos EUA. Title TK tinha apenas as gêmeas Deal como remanescentes da formação original e elas pareciam dispostas a dar novos rumos aos Breeders. Pra isso, ao lado do produtor Steve Albini, capricharam nos arranjos, melodias sofisticadas e esqueceram o lo-fi, que até então, era a mais reconhecível característica da banda.

Voltando pra casa
Longe das experimentações do disco anterior, Mountain Battles mostra o Breeders num caminho oposto. O álbum é radical na baixa fidelidade, apostando no básico do básico nas construções das músicas. Chega a ser desleixado, dando uma impressão de que o grupo abandonou a produção das faixas antes mesmo de concluí-las. É um retorno ao Last Splash, só que mais exagerado.

O diálogo que está sendo feito com os fãs é o seguinte: somos os bons e velhos Breeders, novamente divertidos. O que não impediu o grupo, dentro da premissa de se manterem fiéis ao lo-fi, de tentar novas idéias. Algumas são inusitadas, outras são esdrúxulas mesmo, como a faixa cantada em espanhol “”Regalame Esta Noche” e em alemão “German Studies” (detalhe que nenhuma das duas vocalistas falam essas línguas).

O bom momento da banda, sobretudo das duas irmãs se reflete em algumas composições, como “Istambul”, com influências de surf music e “Here No More”, que mais parece uma canção de ninar. Elas exploram até mesmo a sinergia – por vezes assustadora – dos gêmeos. Em algumas músicas não sabemos qual das duas está cantando.

Com Kelley longe da heroína e com a carreira estável, o Breeders pode agora sustentar uma nova carreira, sem hiatos longos entre os lançamentos. Podem até mesmo conseguir novos hits, e este disco tem muitos: “Walk It Off”, “Overglazed”, “Bang On”. Se alcançará o sucesso de 1993, ninguém sabe, afinal os tempos são outros e fica a pergunta do que significa um “hit” na cena indie.

Mountain Battles parece um corpo disforme, não há unidade, temas ou coerência na seleção das faixas. 20 anos depois, é com este desleixo que o Breeders termina a década, como no auge.

NOTA: 7,0

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