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DE OLHO NOS NERDS
A fim de conquistar um público renovado, minissérie da Warner acha nos nerds os personagens ideais para compor trama repleta de clichês
Por Talles Colatino

Atualmente, as comédias de situação (ou sitcom) parecem terem descido um degrau a menos na escala dos seriados televisivos. Desde seu boom na década de 90, esse tipo de série acabou perdendo espaço para os dramas de cotidiano e os chamados seriados que bebem do realismo fantástico. Basta fazer um breve retrospecto e ver quais os títulos que ganharam a graça do público para não mais vermos aquele formato fechado de quadros, com direito a risada fake de platéia. Indo de encontro à essa realidade, a série The Big Bang Theory, exibida aqui no Brasil pela Warner Channel, conseguiu o mérito de cair na graça do público usando piadas do universo nerd dentro de um enredo já muito batido.

Com o subtítulo de Inteligência é o novo sexy, a série de Chuck Lorre (de Two and a Half Men) se detém na vida de Leonard (Johnny Galecki) e Sheldon (Jim Parsons), dois físicos geniais que dividem um apartamento. Eles representam o velho, e agora tão em alta, estereotipo do nerd: com o sucesso da vida acadêmica inversamente proporcional ao sucesso com o sexo oposto. Sexo oposto esse, protagonizado em cabelos loiro, muitas curvas e pouca capacidade cognitiva por Penny (Kaley Cuoco), a nova vizinha de Leonard e Sheldon. Pois é, mais clichê impossível. Ainda mais quando Leornad cai de amores por Penny e vai fazer de tudo (e sempre acabar numa roubada) para chamar a atenção da amada.

O que faz a série funcionar (e o que poder fazer com que ela renda algumas mais que a primeira temporada que ainda está em produção) é justamente as medidas contrárias entre Leonard e Sheldon. Enquanto o primeiro submete suas ações em favor da atenção de Penny, o segundo sempre tem uma visão crítica para o desenrolar desse sentimento de Leonard, usando do humor mais negro e cretino do mundo. Sheldon e o seu humor são a mola-motora da série, que parece ganhar fôlego a cada colocação do personagem, quase sempre pessimista em relação aos sentimentos do amigo e tudo mais que está a sua volta. Sheldon, em sua cabeça, aceita sua condição de nerd e acha que conquistar uma mulher tão bonita quanto Penny é, para Leonard, tarefa impossível. Na cabeça de Leonard, Sheldon é um acomodado que não se esforça em ampliar seu círculo social. Numa discussão, Leonard afirma para Sheldon: “você não tem amigos!” e ele replica com “e o que você diz dos meus 212 contatos do MySpace?”.

O episódio piloto começa com uma ótima cena dos dois indo fazer doações em um banco de esperma, a fim de conseguir dinheiro para aumentar a velocidade da conexão de internet deles. Eles acabam desistindo da idéia e voltam para casa. Nessa volta acontece o primeiro – e catastrófico – contato com Penny. Ela pergunta: “O que vocês fazem para se divertir por aqui?”. Sheldon toma a frente e responde, com seu ar impaciente, “Agora a pouco mesmo estávamos tentando nos masturbar por dinheiro”.

Para nos divertimos com The Big Bang Theory não precisamos chegar a extremos como esse, mas fica a dúvida de que até quando as boas e salvadoras piadas rápidas de Sheldon vão durar. Completam ainda o núcleo nerd Rajesh (Kunal Nayyar), indiano que não consegue falar na presença de mulheres bonitas e Horward, interpretado brilhantemente por Simon Helberg, um feioso que jura ser dono de um grande poder de sedução.

NOTA: 8,0

The Big Bang Theory – Who’s Smarter: Sheldon Or Lenard?

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