“Comprovei a teoria amplamente difundida no meio científico: as mães são loucas”

Por Téta Barbosa
Colunista da Revista O Grito!

Nenhum lugar no mundo tem tanta concentração de hormônios femininos como numa sala de espera de um consultório ginecológico.

Uma loucura!

Ontem passei quase duas horas nesta anti-sala do inferno esperando ser atendida pelo médico queridinho de todas as grávidas do norte/nordeste.

Sim, todas estavam grávidas. E eram muitas. Algumas, inclusive, levaram suas crias da barriga anterior para o consultório, além do barrigão de 7 meses.

Ou seja, grávidas e crianças pequenas correndo e gritando numa minúscula e minimalista sala de espera.
Eu, ali, me sentindo a alien da situação, tentava me concentrar na leitura das revistas de oito meses atrás. Até porque no dia que você encontrar um consultório com revistas do mês, me avisa que eu mudo de médico na hora!

Tentei, durante a primeira meia hora, ficar alheia àquela conversa sobre fraldas, amamentação e doenças infantis até que, a mulher sentada do meu lado, que carregava Sofia no colo, soltou esta pérola:
“Sofia adora ar condicionado. Ela ama o frio”.

Certo. Todos nós, moradores no Nordeste, amamos ar condicionado. O ar condicionado deveria, inclusive, fazer parte do pacote dos direitos humanos. Mas como, eu me pergunto, em nome da ciência, Sofia, que tem apenas 22 dias de nascida, consegui demonstrar que prefere o frio ao calor? Como, minha gente?

Observei Sofia durante algum tempo. Ele nem consegue levantar a cabeça e durante as duas horas de espera, ela passou 20 minutos mamando e o resto do tempo dormindo. Claro, é isso que os recém nascidos fazem! Eles mamam e dormem, dormem e mamam.

A não ser que Sofia seja super-dotada ou a mãe em questão tenha poderes de ler pensamentos, Sofia NÃO prefere frio ao calor. E,se prefere, NÃO conseguiu demonstrar.

O fato em questão só demonstra a teoria, amplamente difundida no meio científico: as mães são loucas. Fato absolutamente plausível considerando que as mães de recém nascidos tem pouquíssimas horas de sono.
A mãe de Sofia tinha olheiras de Nosferatu e aquele jeitinho de quem dormiu 8 horas na última semana inteira. Perdoada.

Mas, a mãe/louca continuou a descrever, para a amiga grávida ao lado, as peripécias da pequena Sofia. Com ares de “aqui fala a voz da experiência”, já que a colega de sala de espera ainda espera o primeiro filho, ela ficou ali enumerando as heróicas ações da super poderosa Sofia.

Eu já estava preparada para pedir uma gilete para a secretária, com o intuito de cortar os pulsos publicamente, quando o médico me chamou.

Ele não entendeu quando, ao entrar no consultório, eu dei uma abraço forte nele e disse:
– Eu amo testosterona!

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Téta Barbosa é blo­gueira é publi­ci­tá­ria e dona da marca Batida Salve Todos, que tam­bém é um blog cheio de coi­sas legais para se inspirar

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