“Quem se ofende com palavrão, não entende a intensidade da vida”

Por Téta Barbosa
Colunista da Revista O Grito!

Ufa!

Acabei de ler no Wikipedia (que pra mim tem a credibilidade acadêmica de uma tese de doutorado) que o palavrão pode ser usado como licença poética!

Então, quando eu disser um “porra nenhuma” não estou querendo ofender a família católica apostólica romana. Muito pelo contrário.

Só estou querendo enfatizar algum argumento de forma poética e com referências literárias (vai nessa!).

Estou me apegando a esta definição do Google, como quem se apega a última coca-cola do deserto.

Isso porque, pra mim tem sido cada vez mais difícil falar/escrever sem soltar um “foda-se” no final da frase.

Eu sei, eu sei, na teoria, moças finas de boa família não deveriam usar palavras de baixo calão mas, foda-se a teoria!

O palavrão pode ser libertador, e ter o objetivo de, simplesmente, descontrair.

Acho que as pessoas que se ofendem com palavrões, não entendem porra nenhuma da intensidade desta vida.

Sei lá, dizer “que lugar lindo” nunca será o mesmo que dizer “que lugar lindo do karalho”! No primeiro você pode estar se referindo a Maceió, a Olinda ou até ao Recife. Mas, minha filha, se você estiver em Carneiros, vai ter que dizer “que lugar lindo do karalho” mesmo que você tenha sido criada em colégio de freira e tenha frequentado todas as missas de todos os domingos da sua vida!

Posso até apostar que Deus, depois do sétimo dia de criação, olhou para a terra e disse (se não disse, pensou), “que lugar lindo do karalho”.

Ok, depois vieram os homens e fuderam tudo. Mas aí já é outra história.

Minha mãe, por exemplo, vai ficar puta comigo que ver que eu coloquei Deus e karalho na mesma frase. Ela não vai ficar triste, nem desapontada. Vai ficar puta mesmo.

Entende?

Só o palavrão dá a intensidade linguística que a gente precisa para expressar determinados sentimentos.

Ok, todo esse blá blá blá sobre palavrão é porque eu coloquei um “não entendo porra nenhuma de…” no texto que vai para o blog de Noblat na próxima segunda-feira. Foi a primeira vez que escrevi e mandei um texto com palavrão para o blog do O Globo.

Juro que tentei evitar. Reescrevi a frase trinta e duas vezes. Tentei escrever “não entendo coisa nenhuma de…”, depois escrevi “não entendo nada de…” e ainda arrisquei um “não conheço o assunto o suficiente para dar minha opinião….” mas nada, nada refletia o “não entendo porra nenhuma de…” que eu estava tentando expressar.

Não sei se o texto será publicado do jeito que eu mandei ou se sofrerá alguma intervenção editorial. Mas se sofrer, foda-se (licença poética, lembram?).

*Leitura desaconselhada para menores de 16 anos. Porque se tem uma coisa feia neste mundo, é criança falando palavrão!

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