"Próspera". terceiro álbum da cantora, une soul e rap para falar sobre se manter de pé em tempos difíceis. Um dos álbuns brasileiros do ano

e a busca da felicidade como forma de resistência
NOTA8.5

Seguir adiante, bater de frente, se manter persistente, até mesmo manter o olhar positivo apesar de tudo, é também resistir. Próspera, de Tássia Reis, encabeça esse sentimento em um álbum cheio de ritmo, peso e busca por novas sonoridades do R&B e rap.

Tássia, uma das integrantes do Rimas & Melodias, já tinha se revelado uma compositora e cantora bem interessante no anterior, Outra Esfera (2016), que trazia um verniz bem contemporâneo pro seu rap, com timbres e arranjos que levava para ambientes mais hipnóticos, fora da caixinha. Sua estreia se deu em 2014 com um álbum homônimo que trazia o hit “No Seu Radinho”.

Próspera dá um passo além na busca de Tássia por um gênero fluído de R&B e soul, com personalidade bem brasileira, sem deixar de lado o rap, ainda bastante presente neste trabalho (caso da ótima “Shonda – Remix”). Com uma interpretação mais leve e um timbre mais ameno em relação aos seus trabalhos anteriores,  bem mais pesados, Tássia promove um contraste com letras incisivas que falam contra o racismo, a intolerância, o feminismo negro e as lutas diárias.

É um disco de enfrentamento do cotidiano. Por isso a ideia do disco é sobre evolução e prosperidade em todos os sentidos, amorosos, pessoais, financeiros. E é com essa mensagem que Tássia entrega faixas como “Pode Me Perdoar”, uma das melhores do trabalho, sobre um pedido de perdão verdadeiro, “Ansiejazz”, sobre saúde mental e “”Dollar Euro”, sobre machismo.

O trabalho se conecta com um debate importante na arte hoje que vê a vivência dos diferentes corpos como um ato político. Por isso ressoa tanto a representatividade de Tássia Reis enquanto rapper, negra, mulher. Em uma época tão complicada para o Brasil, trabalhos como Próspera se insurgem contra esse estado violento das coisas.

“A mensagem é essa. Foca em você, no seu bem-estar, na sua família, na sua ancestralidade. É isso que eu estou buscando para mim”, escreveu Tássia no release de apresentação da obra.

Com produção de DJ Thai, Eduardo Brechó, Jhow Produz, Nelson D, Willsbife e da própria Tássia, o disco traz ainda muitas participações especiais como Preta Ary, Fabriccio e a rapper trans Monna Brutal. Pelo tamanho (16 faixas), o álbum contrasta com os trabalhos anteriores da cantora, mais sucintos. O que dá ainda mais o tom de que esse é, de fato, o disco da vida de Tássia Reis até aqui.

TÁSSIA REIS
Próspera
[Independente, 2019]

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