O RETORNO
Marvel ataca com histórias bem construídas e arte bem lapidada em novos episódios de Surpreendentes X-Men
Por Talles Colatino

OS SURPREENDENTES X-MEN
Josh Whedom (texto) e John Cassaday (arte)
[Publicado em X-Men Extra, Panini, R$ 6,90]

Ser fã, não importa de que ou de quem, não é tarefa fácil. Ser fã de quadrinhos de heróis tampouco. Nos últimos meses (para não ser drástico e falar em anos), os seguidores da Marvel tiveram, digamos, bem pouca sorte com os títulos do carro-chefe da editora: X-Men. Em vários fóruns de discussão, o comentário era geral: a única série, como o mínimo de dignidade perante a representatividade dos mutantes é Surpreendentes X-Men. E vamos combinar que eles não estavam tão errados. Não que seja esta uma das melhores performances dos X-Men, mas no atual panorama de arcos da série, é de se comemorar (com fogos de artifícios se dinheiro para comprá-lo tivéssemos ou se Jubileu fôssemos) o retorno de Surpreendentes X-Men às páginas de X-Men Extra 76.

Depois de dar lugar à saga Phoenix Warsong, a série que tem o roteiro de Joss Wheedon e arte de John Cassaday volta às bancas com o arco Incontrolável, saga espacial, na qual os X-Men conseguem deter Ord, habitante do planeta Grimamundo que procura uma forma de dizimar a raça mutante. O motivo: os oráculos do Grimamundo prevêem a destruição do seu planeta pelas mãos de Piotr Rasputin, o Colossus, mutante até então falecido. O problema é que numa tentativa de criar a “cura mutante”, Ord acaba por ressucitar (verbo nem um pouco surpreendente em se tratando da Marvel) Colossus. Isso misturado ao controle de Cassandra Nova sobre Emma Frost e à brutalidade do supremo Lord Krüum sobre os habitante do Grimamundo, Incontrolável promete ser uma história coerente, que vai colocar à prova a integridade de Colossus, o equilíbrio mental de Emma e o emocional de Kitty. Além de saciar com a boa e estratégica pancadaria que os leitores gostam.

O que torna esse retorno de Surpreendentes X-Men grandioso e digno da nossa atenção é justamente o bom trabalho que a dobradinha Wheedon-Cassaday consegue fazer, de forma independente e, ainda assim, tão sincronizada. O roteiro impecável de Wheedon – que demonstra a cada trabalho um profundo domínio de diálogos inteligentes e, melhor, bem construído – dialoga com a arte de Cassaday de maneira exemplar. Com um traço limpo e rico em detalhes, John Cassady promove uma verdadeira atmosfera de emoção e tensão ao texto de Joss Wheedom, humanizando as expressões das personagens. Queridos personagens que, seja superficialmente ou não, nem são tão humanos assim. Mas que aprendemos a amar. E quando bem tratados, como no tal arco, cada vez mais.

NOTA: 8,5

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