O MAIOR HERÓI DA TERRA PROTAGONIZA DRAMA FASHION
por Calvin Curtis

SUPERMAN – O RETORNO
dir: Bryan Singer [EUA, 2006]
A manchete pode ser um tanto taxativa, mas é precisa poucos minutos para se constatar: Superman – O Retorno exagerou no drama. O filme é um dramalhão estrelado por um super-herói. Sim, temos cenas espetaculares, como a sequência em que o Superman salva um avião em queda livre e o pousa num campo de futebol, outra em que após uma luta contra Luthor leva ao espaço uma montanha de cristal e Kryptonita. Mas o mote do filme é a relação entre Lois Lane (Kate Bosworth) e o amor platônico que a jornalista nutre pelo homem de aço (estrelado pelo novato Brandon Routh). Depois de cinco anos longe da terra, quando partiu em busca de seu planeta natal, Krypton, o Superman retorna e encontra Lois Lane casada e com um filho de…. 5 anos! (Desculpem se estraguei alguma coisa). Ela irá receber um Pulitzer por uma matéria “Por que o mundo não precisa do Superman”. Após o seu retorno terá que lidar com seus sentimentos em relação ao heroi de capa e seu marido Richard White (James Marsdem, o Ciclope de X-Men, mais uma vez se dando mal em triângulos amorosos) Lex Luthor, interpretado por Kevin Spacey, também retornou e planeja destruir o mundo, matando bilhões de pessoas, um mundo que em sua mente insana, merece morrer por ser tão caro ao Superman. Spacey fez um ótimo trabalho como Luthor. Conseguiu mesclar o tom camp e irônico dos filmes de Richard Donner da década de 70 com um ser inescrupuloso e sádico dos quadrinhos. Tirando ele, todos os outros personagens coadjuvantes são dispensáveis e desinteressantes. O próprio Superman não se importa muito com Luthor, por que ele está mais preocupado em saber mais sobre os atuais sentimentos de Lois, chegando ao ponto de usar a visão de raios-x para bisbilhotar a vida da moça. É certo que a relação entre os dois jornalistas do Planeta Diário (Lois e Clark) sempre foi um elemento de muita importância na história do Superman, mas o diretor Brian Synger achou que deveria fazer desse elemento o cerne principal de seu longa. E houve muitos excessos. Tantos excessos que culminou em várias falhas na própria narrativa e cenas um tanto ingênuas e/ou melosas, como por exemplo o fato do Superman estar em coma e Lois ir até lá beija-lo e forçar o despertar do herói. Não bastasse esse take “Bela Adormecida”, na mesma cena vemos o uniforme do herói ao lado. Quando chegou ao hospital, os médicos rapidamente rasgaram a roupa para e o colocaram na mesa de cirurgia. Sim, a mesma roupa que suporta entradas na atmosfera, balas de metralhadora e altas temperaturas. Na cena em que Lois vai até o quarto do hospital, a roupa já está refeita e o Superman foge com ela. Novinha! Um dos filmes mais esperados deste novo século, o retorno do Superman inicia uma franquia que continua a série de tv Lois & Clark (no Brasil, As Novas Aventuras do Superman), onde o Superman e suas aventuras eram menos importantes do que a relação entre ele e Lois. Se pelo roteiro, talvez, Superman – O Retorno não tenha sido feliz, fazendo um dramalhão pop com cenas de ação, por outro reviveu o espetáculo que é o homem-de-aço. As cenas com o Superman em ação são magistrais e provam o quanto é possível, hoje em dia, tornar verossímel um homem voar. Brandom Routh também está perfeito
como Superman, do queixo quadrado ao penteado. Sua interpretação é tão bem executada que nos leva a entender o por que Lois, nem ninguém, ainda descobriu que Clark Kent, repórter do Planeta Diário é o Superman por debaixo daqueles óculos. Routh consegue modelar duas personas bem distintas, o que mostra um Superman que esconde sua real identidade e não um Clark que possui um alter-ego poderoso. As personalidades bem delimitadas do Superman e de Clark estava certamente no roteiro, mas construí-lo com tamanha eficácia foi uma façanha de Routh. O novo uniforme do Super é glam, uma mistura do estilo da Era de Prata e da mini-série Reino do Amanhã. Outra referência interessante é a homenagem que Synger faz ao longa original de 1974, conservando a música tema e a abertura em estilo retrô. Superman – O Retorno foi um projeto bem pensado, com vários elementos que retoma o personagem para o top das adaptações das hqs para o cinema. O diretor Bryan Singer deu o sangue e muito do mérito do filme é seu. Poderia ter se tornado um clássico inconteste, moderno e elegante, mas imprimiu no herói uma dramaticidade afetada, gratuita, ao explorar sem muito êxito a relação amorosa com Lois. Mas ainda assim, o seu retorno é um dos maiores espetáculos da Terra.
NOTA::6,5

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