Supergrass (Foto: Scarlett Page/ Divulgação)

Supergrass retorna fiel a si mesmo
Por Guilherme Gatis, especial para O Grito!

SUPERGRASS
Diamond Hoo Ha
[Parlophone, 2008]

diamondhooha_mp.jpgSe o Supergrass fosse classificado em tags, as mais usadas certamente seriam “Allright”, “Brit rock”, “ironia, bom humor” e “Marc Bolan”. Com 15 anos de carreira e cinco álbuns lançados, além de uma coletânea comemorativa dos 10 anos do grupo, a banda conseguiu tangenciar a bancarrota do britpop que abateu conjuntos contemporâneos como Suede, Pulp e Charlatans se mantendo fiel a suas tags com discos e canções consistentes. O grupo sempre andou flertando com o rock inglês dos anos 70 e mantendo, em suas canções, o tom despretensioso e ao mesmo tempo urgente de seu maior hit.

Essas mesmas tags podem ser usadas, sem maiores problemas, para classificar o Diamond Hoo Ha, sexto álbum do grupo de Oxford, que será lançado oficialmente em março. Mas para entender melhor alguns deslizes cometidos pelo grupo é preciso, antes, lembrar de Road to Rouen, disco anterior, de 2005.

Esse talvez seja o único trabalho do grupo em que as palavras-chave não se encaixam. O mais melancólico e passional disco do quarteto (Ronald Coombes, tecladista, arranjador e irmão mais velho do vocalista Gaz, deixou de lado a carreira de físico para se juntar ao grupo) foi gravado em um período conturbado – a morte a mãe dos irmãos Coombes e um suposto envolvimento do baterista, Danny Goffey, em um escândalo sexual.

Talvez por isso, Road to Rouen apontava para uma maturidade que, apesar dos muitos anos de carreira, não combinava com o Supergrass da já citada “Allright”, ou de “Richard III”, “Pumping on Your Stereo” ou “Grace”. Mais do que uma simples crise da meia idade, se insinuava como um inesperado e muito bem-vindo disco de transição.

Por isso o começo de Diamonf Hoo Ha é desapontador. “Diamond Hoo Ha Man”, “Bad Blood” e “Rebel in You”, as faixas que abrem o disco, soam como se o Supergrass precisasse provar, mesmo depois das guitarras slides e do ar soturno de Road to Rouen, que eles continuam “rockers”. As três primeiras canções são claras tentativas de emplacar um “hit” e não será surpresa se uma das três for o single de lançamento do álbum. Uma pena, por dois motivos:

1. Depois de década e meia de uma carreira sólida o Supergrass não precisa ser posto a prova.

2. Da quarta faixa, “When I Need You”, em diante, o disco cresce, embalado por canções como “345”, “Return of Inspiration” e “Ghost of a Friend”, que retomam, com muito mais propriedade do que as candidatas a hit, a fase anterior ao Road to Rouen.

Não se trata de um retrocesso, que fique claro. O Supergrass de Diamond Hoo Ha, salvos os deslizes iniciais, mostra que ainda sabe valorizar – para bem ou para mal – suas tags. Está tudo lá, em faixas como “Outside” ou “Whisky & Green Tea”: a sonoridade glam e genuinamente inglesa dos anos 70, com os vocais afetados de Gaz Coombes, as guitarras marcantes e os teclados e efeitos sonoros bem costurados em uma aura feliz, para cima, bem-humorada (mas nunca descambando pro “engraçadinho”). Isso talvez signifique que o grupo tenha escolhido a “alternativa mais fácil”. Mas o mais provável é que a melancolia que assombrou o Supergrass em Road to Rouen, com o perdão do trocadilho, tenha ficado pelo meio do caminho.

NOTA: 8.5

Supergrass – Ghost Of A Friend
[audio:08 Ghost Of A Friend.mp3]

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