Heróina atira lápis e livros contra radicais islâmicos misóginos (Divulgação)

Heróina atira lápis e livros contra radicais islâmicos misóginos (Divulgação)

Não mexa com a dama de preto. É assim que a super-heroína A Vingadora de Burca foi apresentada. A personagem estreia nessa semana na TV paquistanesa Geo TV e usa uma burca, o traje islâmico em que apenas os olhos ficam descobertos. Ela é mestre em artes marciais e luta contra um grupo de criminosos que querem fechar a escola feminina onde trabalha.

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O autor do desenho animado é o músico Aaron Haroon Rashid, que pensou em uma maneira criativa como um problema local, a proibição da educação feminina pelos radicais islâmicos. Entre as armas que possui estão lápis e livros contra os malfeitores.

O fato da heróina usar burca causou polêmica e rendeu críticas ao programa. Para muitas pessoas esse tipo de veste é ligado à opressão às mulheres. Em entrevista à Folha, Haroon disse que se a personagem usasse shortinho como a Mulher-Maravilha não seria muito bem recebida.

O fato de usar burca - tido como opressor às mulheres - rendeu críticas ao desenho (Divulgação)

O fato de usar burca – tido como opressor às mulheres – rendeu críticas ao desenho (Divulgação)

O primeiro episódio foi disponibilizado no site oficial do desenho. Há também um aplicativo para iOS. Esta é a primeira animação feita no Paquistão, como lembra o Guardian.

A história lembra bastante a menina Malala Yousafzai, ativista pela educação no país e que foi baleada em outubro do ano passado, aos 15 anos, por defender na internet o direitos de meninas de irem para a escola. Ela participou este mês de um evento na ONU, em Nova York, onde contou sua história para um grupo de crianças e também o secretário-geral Ban Ki-Moon.

Malala terá um documentário sobre sua vida produzido em Hollywood.

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