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CLUBE DA VANGUARDA
Em novo disco, Subtle quer ser mais acessível, mas seu maior trunfo ainda é ter um som indefinido e experimental
Por Mariana Mandelli

SUBTLE
Exiting ARM
[Lex, 2008]

Diretamente de Oakland, EUA, Adam “Doseone” Drucker, Jeffrey “Jel” Logan, Dax Pierson, Jordan Dalrymple, Alexander Kort e Marty Dowers, mais conhecidos como Subtle, ganharam os holofotes do mundo da música em 2001 com o som indefinível que fazem. Agora, com o lançamento de Exiting Arm, o novo disco, reacendem as discussões sobre a falta de um gênero musical específico no estilo da banda – o que é, com toda a certeza, o maior trunfo do Subtle.

Misturando referências de post-rock (como Tortoise e Mogwai), música experimental e rap underground, o grupo tem a missão de conseguir produzir um som desvinculado do anticon., selo independente de San Francisco mais conhecido como um coletivo de MCs e músicos do qual Doseone e Jel faziam parte.

Mesmo com as diferenças entre um projeto e outro, as heranças do som obscuro, letras poéticas, samples barulhentos e experimentalismos originais aparecem aqui repaginadas, permeando a “nova” música do Subtle que fica evidente em Exiting Arm. Violoncelo, teclados, autoharp, sintetizadores, guitarras, baixo, bateria, vocal triplo, instrumentos de sopro e outros elementos servem de testemunhas do Subtle nesse casamento que a banda consegue fazer entre o hip-hop e o indie rock – do qual a energética faixa “Unlikely Rock Shock” é um sólido exemplo.

Denso e multireferencial, o álbum vai do abstract hip-hop ao eletro distorcendo sons e injetando altas doses de noise rock em cada faixa – as climáticas e tensas “The No” e “Sick Soft Perfection” são bons exemplos. Pitadas de electro-soul aparecem no quase sensual ritmo de “Hollow Hollered”, a mais longa do disco com seus seis minutos.

Já “The Crow” é uma viagem sônica de camadas hipnóticas e quase delicadas que se contrapõem às forças rappers que emergem da canção, como o discurso falado e as batidas ritmadas. Os sintetizadores deixam “Take To Take” e frenética “Gonebones” quase eletrônicas, enquanto distorções e texturas de soft-rock formam “Wanted Found” e “Providence”. “Exiting Arm”, que dá nome ao disco, ganha pontos pela simplicidade de suas batidas enquanto “Day Dangerous” mostra o rock mais etéreo da banda.

Exiting Arm é definitivamente um ótimo disco, que mostra as mil facetas que o Subtle pode ter. Essa nova postura sonora, além de demonstrar semelhanças com o som do TV On The Radio, faz do álbum o trabalho mais pop – e por isso muito mais acessível – do grupo. E essa não é, de modo algum, uma crítica negativa ao disco.

NOTA: 8,0

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