Stela Campos (Foto: Júlio Bittencourt/ Divulgação)
Stela Campos (Foto: Júlio Bittencourt/ Divulgação)

Redescoberta pela cena independente, novo disco de Stela Campos reforça as características distintas que chamam atenção em sua música
Por Gabriel Gurman

STELA CAMPOS
Mustang Bar
[Outros Discos, 2009]

Dentro da infinidade de novas músicas e novos artistas que bombardeiam a indústria fonográfica da atualidade (muitas vezes, negativamente) um disco que tem como primeira faixa “Laura Te Espera Com Uma Arma Na Mão”, no mínimo, instiga a atenção de um ouvinte que procura algo diferente.  Diferente como? Stela Campos, a autora, tenta explicar. Ou melhor, como diria Tom Zé, está explicando pra confundir e confundindo para esclarecer. Esta paulistana, longe dos olhos da grande mídia, vem construindo uma carreira sólida, competente e, principalmente desafiadora ao status quo da atual cena musical. Nem tentem enquadrá-la em qualquer movimento, gênero musical ou grupo de artistas.

Mustang Bar, recém-lançado disco da artista (o 4o), é uma ode a seres tão outsiders quanto ela. Uma homenagem ‘aqueles tipos de qualquer noite urbana que desfilam histórias e vivências bem mais interessantes que as intermináveis canções de amor (ganhado, perdido, tentado ou deixado) que representam a quase totalidade do cancioneiro brasileiro. Os diversos personagens que permeiam o álbum, tais como Ligia Hello Kitty, Laura Duvall, entre outros, são envoltos musicalmente da sujeira que os rodeiam. Aqui, sujeira musical. Roqueira como nunca havia sido em sua carreira solo, com a ajuda de seu grande parceiro Luciano Buarque, além da companhia de músicos de alto calibre como Clayton Martin, (do Cidadão Instigado), Missionário José, André Édipo e Vini Pardinho, Stela Campos traz em cada uma das doze canções do álbum sua essência garageira ligada às distorções, fuzz, além de suas já características “interferências robóticas” que funcionam como um catalisador para a transcendência que seu som sugere, de uma forma que o encontro de músicas tão distintas como a distorcida “Scaramanga” e a delicada “Apartamento” soe (estranhamente) natural.

Com musicas cantadas em inglês, português e francês, Stela Campos não se destaca particularmente por sua voz, mas é a soma de todos os fatores e “microfatores” que compõe sua música que a transforma, não mais em uma surpresa, mas sim em alguém para quem se deve estar sempre atento ao que é produzido, pois a certeza de que alguma coisa boa virá é praticamente intrínseca ao seu nome.

NOTA: 8,0

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