HERÓI EM CONVULSÃO
Psicodélia e bombardeio de takes e cores marcam a adaptação da animação para o cinema
Por Raphaella Spencer

Atenção: Esse filme é contra-indicado para crianças, gestantes, idosos, eplépticos e pessoas com problemas de vertigem. Sim, esse aviso deveria constar entre os créditos iniciais do filme Speed Racer. A adaptação da animação japonesa dos anos 1960, dirigida pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, responsáveis pela trilogia Matrix e por V de Vingança, é uma grande montanha russa digital. Extremamente entrecortado, o filme parece um grande caleidoscópio, com cenas tão rápidas que fica difícil até de entender o que está acontecendo no decorrer das corridas; só voltamos para o filme quando a armação acabou e um carro vira ou explode.

Emile Hirsch, (que também protagoniza o novo filme dirigido por Sean Penn, Na Natureza Selvagem) interpreta o jovem Speed Racer, um piloto talentoso que desde garoto acompanhou os passos de seu irmão Rex, supostamente morto num acidente enquanto tentava provar o esquema que existe entre as grandes corporações para forjar os resultados das corridas importantes em favor de suas empresas. O mesmo problema que, agora, é vivido na pele pelo jovem Speed que começa a se destacar nas pistas e incomodar os vilões milionários.

Segundo a opinião de quem acompanhava a animação original, o filme parece muito fiel, respeitando a presença de todos os personagens inclusive o “gorducho” e Zequinha (Chim Chim) seu chimpazé de estimação. É o símio que rende cenas engraçadas que parecem manter no filme a vertente mais cômica para garantir a identificação com o público infantil, já que exceto por esse núcleo e pelas cores vivas, ar retrô inspirado na decada de 70 que permeia figurino, cenografia e maquiagem, todo o resto é de uma complexidade que pode ser demais para o público infantil.

Outro grande protagonista do filme é o Mach 5 (no filme ganha a versão Mach 6) carro conhecido entre os fãs do desenho projetado pelo seu pai, Pops Racer, John Goodman, cheio de armadilhas controladas num controle manual localizado no volante e que aciona as maiores mirabolâncias desde botão ejetor que faz o carro dar saltos ornamentais até cravos para as rodas que o fazem andar pelas paredes.

O elenco ainda conta com Matthew Fox, o doutor Jack de Lost, que interpreta o Corredor X, Susan Sarandon como a Miss Racer, Kick Gurry o sempre fiel escodeiro Spark e Christina Ricci, como Trixie, a namorada aventureira que vai acompanhá-lo nos momentos mais arriscados. Vale a pena prestar atenção na trilha Sonora, um mix entre eletrônico com referências da música black dos anos 70, marca registrada da animação. Para os mais atentos uma dica é tentar perceber os merchandisings que permeiam todo o filme, o carro lembra a Ferrari Dino, a empresa petrolífera brasileira Petrobrás e a escuderia japonesa de Fórmula 1 Super Aguri tem seus próprios carros no filme, sugerindo “ indiretamente” a disputa entre os times da Fórmula 1, Williams que usa a gasolina da Petrobras, Super Aguri e Ferrari que lembraria o Mach 5.

SPEED RACER
Andy e Larry Wachowski
[Speed Racer, EUA, 2008]

NOTA: 7,0

Speed Racer

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