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SPAWN – ORIGEM
Todd McFarlane (texto e arte)
[Pixel, 132 págs, R$ 32,90]

spawnorigemgu5.jpgA Image foi a maior evolução estética vivida pelos quadrinhos nos últimos 50 anos. Spawn, de Todd McFarlane, é o olho desta revolução. No início dos anos 1990, um grupo de desenhistas abandonaram as editoras Marvel e Dc para formar um conjunto de estúdios, onde poderiam exercitar sua criatividade com mais liberdade, e sem terem os direitos autorais violados.

A experiência foi um sucesso. Estrelas do mercado, como Jim Lee, Marc Silvestri e Erik Larsen inauguraram uma nova fase nos quadrinhos americanos, que, se não uma boa fonte de idéias, tinham um projeto gráfico inovador para tudo o que estava sendo feito até ali. Spawn foi o mais rentável e, digamos, criativo da nova editora. Assim como vários outros títulos da Image, foi acusado de plágio pela Marvel/DC.

A história conta a história do assassino Al Simmons que, morto em combate, faz um pacto com o demônio Malebólgia para rever sua esposa, Wanda. Ao acordar, Simmons se vê sem memória, cinco anos após sua morte e transformado num ser horrendo, Spawn – O Soldado do Inferno.

A edição da Pixel traz os cinco primeiros números da série, escritas e desenhadas pelo criador do personagem, Todd McFarlane. No início, Spawn era um bom título. Mesmo espalhafatoso, a HQ tinha um clima tenebroso, com uma trama bem construída, mistura de policial com terror urbano. Distante das histórias cult, repletas de referências da Vertigo, o terror em Spawn era mais direto, mas nem por isso menos divertido.

O traço de Todd McFarlane, ao lado de seus personagens carismáticos fez a série um sucesso de vendas e público. Nas primeiras dez edições, criadores respeitados comprovaram o potencial criativo da série, como Alan Moore, Neil Gaiman e Frank Miller. Com o passar dos anos, o título perdeu o fôlego. Sem o criador – ocupado demais com sua milionária empresa de brinquedos – a trama foi se desgastando e, por fim encontrou seu fim recentemente, na saga Armageddon. Nos próximos meses, o Brasil tem a oportunidade de ler uma nova fase, escrita por David Hine, mais sombria e cheia de mistério.

Spawn – Origem revive o período autoral e criativo de McFarlane e tem uma leitura muito agradável. A editora prometeu outros volumes da série, mas já avisou que os números 9 e 10 não serão publicados. O primeiro mostra a primeira aparição de Angela, personagem criada por Neil Gaiman, com quem McFarlane teve uma batalha judicial pelos direitos dos personagens Miracleman. O segundo, escrito por Dave Sim, não teve permissão de publicação fora dos EUA.

Os anos 1990 para os quadrinhos foi marcado por uma ressaca criativa, com tramas fracas, personagens idem e onde os desenhos, efeitos especiais e mulheres boazudas e apelativas dominaram os comics. Spawn, por um período, influenciado pelas experiências estéticas e narrativas de mestres como Frank Miller, mostrou que algumas obras se salvaram naquele período criativamente pobre dos quadrinhos americanos. [Paulo Floro]

NOTA: 8,0

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