:: Anarquistas graças a Deus!

Imagine um cenário fictício no qual um vigilante mascarado investiga poderosos da sociedade em busca de provas de desvios de dinheiro, caixa dois, favorecimento legislativo e outros fatos de abuso de poder, fazendo com quem esteja na base da pirâmide social venha a sofrer cada vez mais. Neste cenário este vigilante divulga essas provas e acaba criando uma inversão de papéis, onde os predadores passam a ter medo do que as outrora presas agora podem fazer. Pensou em V de Vingança? Pense melhor. Isso é Anarquia!
Anarquia é uma série da Zap!HQ escrita pela dupla Emílio Baraçal e Carlos Eduardo Corrales e desenhada pela pernambucana Cynthia França. A série mostrará um cenário que, infelizmente, de fictício traz somente os personagens. Ambientada no Brasil, a história apresenta um país totalmente tomado pela corrupção política no qual surge uma vigilante que se propõe a desmascarar os corruptos e trazer esperança ao povo brasileiro: Anarquia. A comparação com a obra de Alan Moore não é absurda, pois em V de Vingança o vigilante V, assim como Anarquia, também se propõe a expor os corruptos e manipuladores políticos e mostrar às pessoas comuns que são elas quem, de fato, detém o poder.
No blog da Zap!HQ há uma ótima descrição e apresentação de cada um dos principais personagens de Anarquia.
O primeiro arco da série terá 8 capítulos, e embora ela ainda esteja em fase de produção o SOC! conversou um pouco com seus criadores para sabermos o que esperar da obra que está por vir.
Doctor Doctor: Sabemos que a Zap!HQ possui vários projetos em andamento, porém, atualmente, Anarquia é o principal. Qual é a idéia principal por trás desse título e qual sua proposta?
Emílio Baraçal: A idéia surgiu do meu inconformismo em relação ao comportamento do povo brasileiro perante tanta corrupção no Brasil. Isso porque apenas os descobertos, obviamente, chegam às mídias, então imagine o volume de corrupção ainda a ser descoberto neste país. Não consigo imaginar que um povo fique tão indiferente quanto a isso como o brasileiro. Que me lembre, a última manifestação real de protesto que fizemos foram os Caras Pintadas contra o Collor. E isso foi há quanto tempo? Quantos casos piores ainda apareceram na mídia? Fizemos algo contra isso? Eu não consigo dizer que sim.
Anarquia é meu desabafo, é minha crítica. É meu meio de dizer “não vamos ficar parados, pelo amor de Deus”. Pretensioso? Não vejo assim. Cada história, independente de ser um filme, livro, série de TV, que se propõe a fazer pensar tem que mexer de alguma forma com seu público. A forma de Anarquia é o protesto.
Carlos Eduardo Corrales: A meu ver, o melhor tipo de história é aquele que diverte ao mesmo tempo em que faz pensar. Se você se preocupa apenas em passar conceitos e críticas, seu público será muito limitado. Por outro lado, diversão vazia pode ser legal até certo ponto, mas não tem o mesmo impacto que algo que junte esses dois fatores. As histórias de super-heróis normalmente são diversão descompromissada. Com a Anarquia, vamos combinar críticas à indiferença política brasileira com cenas de ação e tudo mais que existe de bom nos quadrinhos de heróis tradicionais.
Doctor: Por que escolheram o Brasil como cenário de Anarquia?
Emílio: Como disse antes, Anarquia surgiu da minha indignação perante o comportamento apático do povo brasileiro diante de tanta corrupção. Dessa forma, tinha que ser aqui, né? Lógico, com esse pensamento, esbarrei nas razões de quadrinhos do gênero não darem certo aqui e corri atrás, como já expliquei, de tapar esses buracos. Além do mais, o Brasil possui muitas características que, se analisadas, pensadas e ponderadas, é possível criar algo aqui. A coisa não é só sentar e escrever. Em qualquer processo de escrita, seja para cinema, TV, literatura, sempre há um processo enorme de pesquisa e organização das idéias antes de se escrever a primeira palavra na primeira página de um roteiro. É um processo que a maioria dos iniciantes e entusiastas da escrita ignora, infelizmente.
Corrales: É legal criar coisas em um universo conhecido do nosso público. As histórias da Marvel costumam rolar em lugares reais e bastante conhecidos dos estadunidenses, como o Central Park. E não me lembro de ter visto nada assim por aqui. O cinema, por exemplo, se limita a coisas da época da ditadura ou a favelas. O leitor de quadrinhos normalmente não conhece essas coisas na pele, apenas dos noticiários, filmes e livros. No universo da Zap!, a gente vai poder usar lugares que os leitores já visitaram ou vão visitar algum dia, como a Avenida Paulista, o Parque Ibirapuera ou o Porto de Santos. O caboclo está lendo, reconhece o lugar e fala “olha, eu já fui lá”. É legal ver a história acontecendo em lugares que fazem parte da sua vida.
Doctor: Anarquia é uma história ambientada em um cenário maciçamente brasileiro, com nomes, costumes e cultura tipicamente brasileira. Como está sendo, portanto, o processo de criação gráfica do Brasil em Anarquia a fim de deixar claro ao leitor que a história se passa em nosso país?
Cynthia França: Aí está algo desafiador para mim como desenhista. A história de Anarquia começa na Baixada Santista… e eu sou de Recife! O Emílio me deu uma grande força com referências, mandando toneladas de fotos, de vários locais diferentes da Baixada, tipos de construções, pontos históricos, etc. Além disso, ando prestando mais atenção na minha própria cidade, e pensando quais são os elementos que caracterizam a urbanização brasileira. Enfim, nada de prédios imensos de vidro. Isso é coisa de Hollywood. Gostaria de mostrar algo que o leitor pudesse identificar como parte de seu cotidiano.
Doctor: Como surgiu a idéia de Anarquia?
Emílio: Eu criei boa parte do conceito em 1996. De lá pra cá, os percalços da vida – e às vezes, culpa minha também – me impediram de torná-la realidade antes. Embora seja roteirista profissional, eu também desenho e tenho um carinho tão grande pela personagem que eu queria fazer eu mesmo e sempre tive um grande receio de deixar outros fazerem. Em um dado momento, conversava com Fernando Lopes, editor da Marvel no Brasil, durante um jantar e boa parte do assunto foi “por que os super-heróis brasileiros não dão certo?” e ficamos ruminando teorias e motivos, além de imaginar possibilidades de agir nos buracos dessas razões, na intenção de tapá-los. Foi quando vimos, no meio da conversa, que uma das coisas que o brasileiro precisa é achar sua fórmula de fazer isso. Isso, entre outras coisas, me motivou e passei seis anos conversando com leitores, editores, jornalistas, cavucando matérias e artigos, analisando séries, entre outras coisas, na intenção de saber se é possível ou não.
Depois de reunir esses dados todos e analisar tudo, comecei a criar um organograma com as características que um universo de quadrinhos de super-heróis brasileiros teria que ter para fazer sentido e ser coeso e tomando cuidado para não cometer os mesmos erros que a maioria das empreitadas comete. Isso chamou a atenção de alguns editores, conversas foram acontecendo e há gente interessada na publicação. Mas entre interesse e virar realidade, o abismo é enorme. Existe um procedimento sobre como as editoras recebem propostas e eu precisava adequar tudo o que tinha feito a esses procedimentos. Faltavam alguns itens, entre eles, uma equipe de arte.
Comecei a correr atrás e descobri a Cynthia no blog dos Melhores do Mundo. Ela participou fazendo ilustrações maravilhosas dos integrantes de lá e vi nela a possibilidade de finalmente a coisa se desenvolver. Após uma longa conversa, ela não só aceitou como se entusiasmou com tudo.
Um pouco antes da Cynthia, tinha entrado em contato com o Carlos Eduardo Corrales, editor-chefe do Delfos, grande site jornalístico do meio nerd. Algumas de suas matérias políticas – sim, políticas! – me chamaram a atenção, contendo idéias e pensamentos que eu jamais teria a chance de imaginar. Propus que ele escrevesse Anarquia comigo, explicando toda a série e o universo que viria a se chamar Zap!HQ, entre outros detalhes, mas desde que ele fizesse um curso de roteiro comigo para entender como funciona o processo todo. Então, do surgimento dela, até o presente momento, muita pedra rolou. Devido às nossas numerosas e caóticas reuniões sobre a série, hoje não vejo Anarquia sem o Corrales e a Cynthia. Suas contribuições sempre foram maravilhosas. Eu criei a personagem em 1996, mas divido com eles sem problema algum os direitos da personagem. Hoje os enxergo como co-criadores também.
Corrales: A Anarquia surgiu na minha vida no final de 2008. Na seção de colunas do Delfos, costumamos fazer textos reflexivos, normalmente relacionados à cultura pop, mas às vezes falando de coisas mais gerais. Algumas edições da minha coluna trataram sobre política. No dia que uma delas saiu, o Emílio me mandou um e-mail misterioso dizendo que tinha três perguntas, mas só faria a terceira dependendo das minhas respostas às duas primeiras. As perguntas eram:
1) Na real, na verdade, qual sua orientação política?
2) O que você pensa do anarquismo?
Respondi as duas perguntas e o Emílio então respondeu falando sobre a ideia para a Anarquia e me mandando um calhamaço de coisas. Nesse calhamaço, tinha toda a justificativa para um universo nacional de super-heróis, detalhes de todas as edições do universo e uma história detalhada da Anarquia. A terceira pergunta era, claro, o convite para me juntar ao time. Eu pedi um tempo para ler tudo antes de responder. Enquanto lia, ficava cada vez mais boquiaberto e surpreso com a qualidade de tudo. Chegou ao ponto de eu não querer parar de ler – como as melhores histórias têm que ser.
Obviamente, deparado com um convite para se juntar a um projeto de tamanha qualidade, só um doido recusaria. E eu felizmente não sou tão doido assim e topei.
Enquanto lia, fazia minhas próprias anotações com críticas, elogios e sugestões. Quando me encontrei com o Emílio, passamos por todas elas e combinamos que eu faria o curso de roteiro com ele. Fiz e aprendi pra caramba, o que chegou inclusive a melhorar meu embasamento teórico nas resenhas do Delfos – sobretudo em cinema.
Aí ele me mandou as duas primeiras edições que já estavam escritas, fiz algumas sugestões e modificações, e ele me incumbiu de escrever a terceira e a quarta por conta própria. Fiz a terceira e enviei para ele, que por sua vez sugeriu algumas modificações também e daí batemos o martelo. Agora estamos discutindo a quarta edição e depois disso já vou roteirizá-la.
Doctor: Cynthia, como o Emílio disse, houve uma profunda preocupação durante o desenvolvimento do roteiro de Anarquia em evitar todas as características e erros que condenam a produção nacional. Em relação à arte foi necessária a mesma preocupação? Se sim, quais você acredita serem as características gráficas que podem contribuir com o fracasso do gênero “super-herói” na produção nacional?
Cynthia: Quanto à arte, eu me preocupei sobretudo com a qualidade. Queria achar um traço bom, mas que não fosse apenas uma imitação da Marvel/DC. Eu, particularmente, não sou “bairrista” nem me preocupo muito com “apelos patrióticos”, mas entendi e acatei a idéia do Emílio de produzir um material “com a nossa cara”. Ora, é um gibi brasileiro, não um comic americano feito por brasileiros! Mas nem por isso precisa virar uma coisa “verde-amarela-panfletária”. Eu diria que a gente tenta equilibrar.
Quanto às características gráficas, ainda acho meio complicado de responder… depois de ingressar no projeto Anarquia, comecei a me questionar sobre o gênero aqui no Brasil. Os “heróis clássicos”, com suas capas e seus super-poderes, já se tornaram clichês? Agora é a vez dos anti-heróis? Ou eles já cansaram também? O debate parece ser infinito. E posso dar um exemplo a partir da minha própria impressão sobre o tema.
Achei meio estranho, inicialmente, a Anarquia ser mestiça de orientais com brasileiros. Mas depois pensei que o Emílio, criador dela, é de São Paulo, onde a cultura nipônica é muito mais forte do que aqui em Recife. Além do mais, me parece que as japonesas exercem um fascínio bem grande sobre o pessoal que consome quadrinhos e “cultura nerd” em geral. Então, a meu ver, a heroína de Anarquia tem características que podem funcionar muito bem sim.
Doctor: Apesar da detalhada descrição de cada um dos personagens principais no blog da Zap!HQ, vale a pena aproveitar o gancho dado pela Cynthia e perguntar diretamente aos criadores: quem é a personagem principal e o que os leitores podem esperar encontrar nela?
Emílio: Ela nunca teve controle da vida dela. A vida de Adriana Katsumoto sempre foi, sem ela saber, do governo. Há intenções políticas e tensões internacionais que fizeram o nosso governo manipular algumas pessoas, entre elas a Adriana. As coisas estranhas que sempre aconteceram na vida dela agora explodem em sua cara e ela descobre o que está acontecendo. Após ver que em todos esses anos ela foi uma espécie de robô-escravo do governo, ela se revolta e pretende tomar o controle e dar o troco. Dessa forma, cria uma persona para se proteger, ao mesmo tempo em que investe contra seus algozes. Essa persona é batizada de “Anarquia” devido a seus métodos. Ela investiga os políticos e grandes empresários, e descobre seus podres, mas não os entrega para as autoridades. Ela joga tudo no ventilador, para o povo, de uma forma também ironicamente manipuladora. Ela faz o povo se revoltar, ficar indignado e pedir a cabeça dessa gente. Digo ironicamente porque a raiva dela contra o status quo é tão grande que ela acaba manipulando o povo da mesma maneira que foi manipulada. Então ela tem defeitos e não são poucos.
Corrales: Dá para resumir tudo em uma frase: o que acontece quando a manipulada tem o poder de manipular?
Emilio: Creio que ela acaba tendo um modus operandi diferente dos combatentes urbanos tradicionais devido a essas características. Quando era bem mais novo e li A Queda de Murdock, grande saga do Demolidor feita por Frank Miller, um dos aspectos que me chamou a atenção foi o momento que Matt entrega Bazuca na redação do Clarim Diário. As repercussões disso no contexto da série vão muito além do que parece inicialmente proposto lá, se analisarmos a fundo. Essa é a raiz da maneira como achei que uma personagem urbana poderia funcionar no Brasil, só pra resumir muito suas características motivacionais.
Doctor: Graficamente, quem é Anarquia e quem é Adriana Katsumoto? O que a imagem delas nos revelam sobre quem elas são?
Cynthia: A Anarquia usa uma máscara branca inspirada nas do Nô, o antigo teatro japonês. Tem um sorriso discreto nos lábios, mas não perde a impassibilidade que uma máscara transmite. Sua roupa é preta e justa, como a dos ninjas, deixando somente os braços de fora (uma coisa que nunca entendi é como algumas heroínas usam tão pouca roupa e cores berrantes). Suas luvas, cinto e botas são vermelhos. Por sinal, é uma combinação que aprecio muitíssimo: preto, branco e vermelho.
A Adriana é atlética e despojada: sempre a desenho com regatas, calças de nylon e tênis. Ela é jovem e bonita, mas sem “excesso de volume”. Tive bastante cuidado para desenhá-la porque, desde o início, ela nunca me pareceu idealizada ou sensual. Também dei uma olhada na Psylocke dos X-Men e na Faith Connors, do Mirror’s Edge, para fazê-la bem do jeito que imaginava.
Doctor: Por mais interessante que um herói seja dificilmente ele se sustenta sem um ótimo antagonista. Será que podemos saber alguma coisa sobre o vilão da série?
Emílio: Embora ela combata qualquer um que seja corrupto e desonesto na elite, ela terá um vilão principal desde o início, que dividirá a atenção com todos os outros. Mas no primeiro arco de histórias, ele estará o tempo todo oculto. Qualquer um ali poderá ser o grande vilão dela. Obviamente, haverá pistas sobre quem é. Dessa forma, fica difícil falar dele. O que posso dizer é que ele seria uma representação metafórica do verdadeiro cabeça de cada caso de corrupção que vemos no Brasil. Dificilmente uma investigação, uma CPI, chega aos verdadeiros culpados aqui. Geralmente a culpa cai em cima de um bode expiatório. A grande mente maligna fica por trás, sempre intocável. Por isso ele é um oponente oculto. Adriana não tem como combater o que não sabe que existe. E um momento – em algum outro arco – ela descobrirá que existe alguém assim, mas quem? Aí, a coisa vira, como combater alguém que não sei quem é, não conheço e não sei seus métodos? Por isso fica difícil falar tão abertamente desse personagem. Há muitos outros personagens do que aqueles apresentados nos model sheets publicados no blog do Zap!HQ.
Doctor: Qual está sendo o maior desafio em desenhar Anarquia?
Cynthia: TUDO! Pra começar, eu não tenho experiência em quadrinhos. Quando o Emílio me convidou, eu falei mil vezes “mas eu sou ilustradora!”. Mas aí nós fomos conversando e ele acabou me convencendo. Vou ter que desenhar como nunca, inclusive coisas que eu tenho dificuldade, como casas, máquinas, armas. Mesmo assim, topei por ver uma grande possibilidade de crescimento para a minha arte. E é assim que se aprende mesmo, produzindo, errando, tornando a fazer… e de repente a gente se pega dizendo um “Opa! Isto aqui não é mais tão difícil de desenhar quanto antes”. Isso é o melhor de tudo.
Outra coisa desafiadora é se apropriar da linguagem dos quadrinhos. Eu comecei lendo a Luluzinha, depois mangá… mas comics mesmo, eu só folheava um ou outro de vez em quando. O que eu gosto mesmo é de ler livros, e colecionar ilustrações. Agora comecei a ter mais contato com os comics, e voltei a ler meus antigos mangás. Mas estou bem longe de ser uma consumidora assídua de quadrinhos.
Doctor: Agora corro o risco de parecer pessimista, mas esta é uma pergunta que vale a pena ser feita. Inúmeros quadrinhos do gênero “vigilante” ou “super-herói” já surgiram da produção nacional e não chegaram à 2º edição. Qual é o diferencial de Anarquia para evitar esse indesejado destino?
Emílio: Isso é algo que acredito que possa ser pretensioso demais responder. Não me leve a mal, mas é algo que prefiro que os leitores respondam. Estamos fazendo, as coisas estão surgindo, estamos cuidando de todo o processo. Quando acabarem de ler o primeiro arco, são eles, os leitores, que dirão. Com todo o trabalho que temos tido, o que posso dizer, sem entrar em muitos detalhes, é que acreditamos no material em mãos. Mas, tecnicamente, sobre a revista que estreia que nunca chega à segunda edição, há um planejamento editorial pra que isso não aconteça. Um detalhe é que não vamos lançar a primeira edição sem antes ter algumas das seguintes prontas. Isso dá segurança pra nós, para o leitor e, principalmente para a Cynthia, que não ficará tão pressionada com prazos.
Corrales: Eu acho que posso falar com maior isenção do que o Emílio e acredito que sem parecer tão presunçoso. A verdade é que eu realmente me espantei com a qualidade do material que ele me enviou logo de cara – e não tinha nenhuma história completa. Era basicamente a origem dos personagens em texto corrido e alguns traços da personalidade deles. Como fã de quadrinhos como linguagem e de super-heróis como gênero, tenho a mais absoluta certeza de que eu compraria aquilo. E diria isso mesmo se não tivesse me juntado ao time do Emílio. Aliás, eu só aceitei o convite porque era algo que compraria. Não faz sentido participar de algo criativo no qual você não acredita, certo?
Doctor: Devido à falta de incentivo à produção nacional muitos quadrinhistas encontraram no formato e-comics a maneira de apresentar seu material e está prática já está muito difundida em nosso país. Enfim, Anarquia sairá como e-comics ou teremos o bom e velho papel e tinta?
Emílio: A intenção sempre foi papel. Não descartamos as webcomics como opção, mas inicialmente, focamos na publicação impressa.
Corrales: Isso, claro, não significa que não podemos colocar algum material online. Coisas que acrescentam ao universo e que o desenvolve sem prejudicar a compreensão daqueles que ignoram esse material extra sempre é uma boa.
Doctor: Bem, chega de falar de dificuldades e vamos falar de diversão. Cynthia, 0 que lhe dá mais prazer em desenhar Anarquia e qual é o melhor personagem da série para desenhar?
Cynthia: Uma coisa que eu gosto em Anarquia é poder desenhar personagens diferentes dos meus, e também gente comum, que você encontra todo dia na rua. Desenhar o guarda da esquina, o vendedor de cachorro-quente. Já me disseram que eu desenho todo mundo “bonito demais”. Agora vou passar a algo completamente diferente, e isso é estimulante pra mim.
De todos os personagens de Anarquia, o que eu mais gosto é o Marcelo, o hacker amigo da Adriana. Consegui fazê-lo bem simpático e carismático, de uma maneira que nem eu mesma imaginava. Acho que condensei nele os meus sonhos do “nerd perfeito” (e aqui eu dou uma risadinha irônica, huhuhu).
Doctor: Quais artistas serviram e servem como modelo em sua jornada como desenhista?
Cynthia: Aqui, a lista seria IMENSA… como eu sou graduada em Artes Plásticas, a História da Arte sempre foi a maior fonte de inspiração. Depois, vieram os contemporâneos. Então, vamos lá:
Das antigas: Michelangelo, Botticelli, Caravaggio, Ingres, Bouguereau, Gustav Klimt, Alphonse Muchá, Toulouse-Lautrec, os Pré-Rafaelitas, Renoir, Egon Schiele e John Singer Sargent.
De hoje: Takehiko Inoue, Yoshitaka Amano, Modoru Motoni, CLAMP, Hyung Tae Kim, Lee Bermejo, Adam Hughes, Milo Manara, Edu Francisco, Eduardo Schaal, Ivan Reis, Rafael Grampá, Rael Lyra, a galera que produz os concepts do WarHammer Online.
Doctor: Por fim, quando a série será lançada?
Emílio: Assim que tivermos alcançado o planejamento editorial que descrevi há pouco. A Cynthia acabou de começar a fazer as páginas da primeira edição, então ainda vai levar um certo tempo. O blog surgiu para ir mostrando os bastidores das séries, como um aperitivo do que fazemos. Então, não há uma data, ainda. Gostaria eu de poder ter batido o martelo quanto a isso.
Corrales: Obviamente, assim que tivermos novidades quanto a isso, serão imediatamente lançadas no blog da Zap! e no Delfos.
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« Comentários
Que legal, é ótimo quando vemos que o mercado brasileiro está investindo em quadrinhos, e pelo que pude sentir com certeza será de qualidade.
Podem contar comigo, pois com certeza comprarei essa revista.
E ISSO AI EMILIO,
PARABENS, SIGA EM FRENTE VC PODE!
E VIVA A ANARQUIA!!!!
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