THE SMASHING PUMPKINS
Zeitgeist
[Reprise, 2007]

Sobra pretensão em Zeitgeist, novo disco dos Smashing Pumpkins. Billy Corgan, líder da banda e mentor intelectual (pra não dizer dono) do projeto sempre pautou suas obras por um excesso de pretensão gritante. Em todos eles, estava claro para o público, o que ele almejava alcançar, mas nem sempre era possível, e isso também era evidente.

A pretensão de Corgan podia ser usada para fazer boas obras, como Mellon Collie and Infinite Sadness, álbum duplo de 1995, construído para ser um “divisor de águas” ou Adore (1998), ótimo disco que misturava com maestria a eletrônica e o rock, talvez o disco mais delicado do Smashing Pumpkins, experimental e pop ao mesmo tempo. Por outro lado, ao buscar uma desconstração alegre com o Zwan, errou feio. A banda era chata e não tinha carismo nenhum. E o público ainda teve curiosidade no projeto. Afinal, era o primeiro após o declarado fim do grupo. Em seguida, The FutureEmbrace, disco solo, naufragou em vendas e fez Corgan voltar suas atenções a um retorno de sua antiga banda.

Então, ainda com bastante pretensão, dessa vez recheada por uma campanha de marketing poderosa, chegamos a este Zeitgeist. O disco era aguardado pelos fãs e imprensa desde que Corgan afirmou na mídia que sonhava com a volta do grupo, e chegou a pedir publicamente o retorno dos outros dois integrantes, a baixista D’Arcy e o guitarrista James Iha. Apenas Jimmy Chamberlain continua com Corgan desde o fim dos Smashing Pumpkins.

O que mais falta para um sucesso de público e crítica nesta volta, já que o fator revival e saudosismo já é gritante? Política. O disco novo, desde a capa, o nome, até as letras trazem uma crítica ao governo e modo de vida norte-americano. Isto sim, é novidade no mundo dos abóboras amassadas. Antes, os temas eram o ócio, a pós-adolescência, a perda da juventude, arte, apocalipse, anos 90. O que continua nos Pumpkins é sua tentativa de soar um Black Sabbath indie. É essa a tentativa primordial de Corgan: atingir o pop perfeito através de um som incrivelmente pesado e melancólico.

O primeiro single “Tarantula” traz Paris Hilton na capa, mostrando que o novo Smashing Pumpkins está afim mesmo é de expor suas idiossicracias. Pra quem não lembra, quando anunciou o fim do grupo, em 2000, Corgan afirmou que não aguentava mais lutar contra o pop lixo de Britney Spears. Agora, já foi visto até saindo com a recém-liberta milionária. “Tarantula” é uma ótima música. Impressiona com suas guitarras distorcidas, a bateria acelerada, além de ser quase radiofônica. “United States” é a mais militante, politizada, mas tem um andamento enfadonho, com arranjos clichês de metal. “Neverlost” é o máximo que esta encarnação do SP pode chegar de baladas singelas, sucessos de outros tempos, como “1979” ou “Perfect”.

A importância – para muitos superestimada – que o Smashing Pumpkins teve nos anos 1990 não serviu para transformar a esperada volta num sucesso. Um amontoado de canções sem muito a dizer, por vezes repetitivas, terminando com um delicado piano lembrando o passado, é o saldo de Zeitgeist.

Curioso mesmo é o figurino da banda, muito esquisito. Mas o Smashing Pumpkins sempre teve a melhor direção de arte do Rock.

NOTA: 4,0

Sem mais artigos