(Foto: Stephen Hyde/ Divulgação)

AGORA ADOLESCENTE
Ídolo dos marmanjos, Nick Hornby foge dos personagens balzaquianos e conta a história de um garoto de 18 anos que tem de lidar com a gravidez precoce da namorada
por Talles Colatino

NICK HORNBY
Slam
[Rocco, 2008]

Não é difícil entender o fenômeno editorial que a marca (sim, a marca) Nick Hornby se tornou. O autor inglês de cinqüentão se comporta como um adolescente, escreve como um adolescente e faz sucesso entre adolescentes e adultos-adolescentes. Seus personagens são, em sua maioria, homens de 30 anos, “castigados” pela síndrome de Peter Pan. Anti-heróis que buscam respostas para perguntas e questionamentos que, pessoas bem mais resolvidas faziam quando tinham seus 18 anos.

Porém, esses balzaquianos pós-modernos contam sempre com um ponto a favor: carisma. Os personagens de Hornby nos fazem oscilar entre a falta de paciência com certos questionamentos e atitude e a simpatia embutida na vida loser de cada um deles. Isso, misturado à boa e ágil narrativa do escritor inglês, fez com que o mundo se rendesse à ficção de Nick Hornby, permeada de elementos e citações à ícones (sejam eles humanos ou imateriais) da cultura pop contemporânea.

Subvertendo a ordem esperada, como aconteceu em Como Ser Legal (2002), quando, ao invés de mais um homem, deu a narrativa a uma mulher – num bom texto que ironizava o casamento -, Hornby chega esse mês às livrarias brasileiras com Slam e seu primeiro protagonista adolescente. Sam é o personagem-narrador de Slam, um skatista de 16 que coloca a mão na cabeça e grita “fodeu!” quando descobre que vai ser pai. Filho de mãe jovem, Sam prefere encontrar as palavras de apoio e respostas para seus questionamentos de adolescente com a lenda do skate , o americano Tony Hawk. Mas se engana quem pensa que Sam é um “chegado” do atleta: na verdade, de tanto ler a biografia de Hawk, o jovem acredita que o pôster em tamanho real que cultiva na parede do quarto fala o que ele precisa ouvir para “não marcar bobeira”. Pois é, o pôster é um oráculo. Um tipo de piração típica dos personagens de Hornby.

E vai ser trabalhando o tema gravidez, envolto da atmosfera do gueto dos skatistas que Nick Hornby denota as reviravoltas que um tema assim causa na vida de qualquer adolescente, tudo isso misturado com o seu sempre ácido e bom humor. Não se trata de um livro-ícone para uma geração de jovens, ao contrário, está bem longe disso. Slam é na verdade, apenas um livro, em caráter universal, mediano e, tratado como literatura infanto-juvenil, bom por se desvencilhar de temas banais do universo adolescente. Não que gravidez seja um tema inovador, mas, em Slam, é tratado de uma forma divertida e, em melhor performance, até irônico. E isso fica expresso em passagens como quando Sam “viaja ao futuro”, tendo visões da vida que passará a ter quando o bebê nascer. Logo ele começa a ter esquizofrênicos acessos de angústia, felicidade e desespero. E de tudo isso junto.

No fim das contas, Slam soa como a versão masculina de Juno, o filme-sensação-indie do ano passado, sob o roteiro da ex-stripper e nova america’s sweetheart Diablo Cody. Mas seria ingenuidade demais que isso fosse uma mera coincidência. O texto de Slam é feito sob medida para ganhar uma versão pro cinema, assim como foi os seus dois melhores e mais bem sucedidos trabalhos: Alta Fidelidade (1995) e Um Grande Garoto (1998). Tanto pela narrativa fragmentada e insights altamente figurativos quanto pela plasticidade do texto em si, que inegavelmente, daria um bom filme narrado em primeiro pessoa. Nos resta aguardar para, literalmente, ver.

NOTA: 6,0

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