Jim Carrey reafirma boa vocação para comédias em novo filme
Por Lidianne Andrade

SIM, SENHOR!
Peyton Reed
[Yes Man, 2008]

Bom ver atores maduros nas telas nos surpreendendo. Após firmar-se como comediante, Jim Carrey não precisa mais ousar ou se desgastar por grana, já tem dinheiro para nunca mais levantar do sofá. Depois de diversas comédias vazias com humor escrachado, ele volta em um instigante Sim, Senhor!

Peyton Reed (Separados pelo Casamento) dirige uma comédia leve, com roteiro (dos mesmos escritores de As Loucuras de Dick e Jane) aparentemente feito sob encomenda para Carrey. Carl Allen é um bancário extremamente negativo que usa a palavra ‘não’ como meta de vida para qualquer pedido ou solicitação a sua pessoa. O personagem aceita o convite de um amigo e faz um curso de autoajuda, de onde sai um novo homem ao ter que dizer ‘sim’ para qualquer pessoa ou coisa que lhe é oferecida.

Os personagens tem caracterização simples e a película não traz nenhum efeito especial de destaque. Fotografia e figurinos realistas, caras e bocas conhecidas, incluindo a lindinha Zooey Deschanel como Allison, a mocinha da história. Sim, Senhor! deveria passar batido se não fosse engraçado de verdade e com uma boa injeção de otimismo ao espectador. Vale ressaltar que um ator sozinho não faz um bom filme, e todo o elenco centra na sintonia do astro, com destaque para o personagem Norman (Rhys Darby), o gerente do banco supervisor de Carl Allen.

Quem diria que um ator com O Mundo de Andy e O Mentiroso no currículo conseguiria voltar ainda com a bola toda para as salas de exibição. Se não fosse por suas aparições anteriores, Jim Carey estaria diante de uma de suas melhores aparições. Ele se aprimorou, cresceu, aprendeu e agora sabe exatamente o que faz. Se não fosse pelo astro, Sim, Senhor! ficaria como uma dessas comédias que fatalmente vão direto para DVD.

Apesar de piadinhas sem graça como o ‘apelido de bichinho’ do mato da personagem iraniana (um cacoete do cinemão norte-americano), Sim, Senhor! é realmente um bom filme. Divertido, intenso e com boas lições de moral. Há até um certo teor político na participação dos bancários e a concessão de créditos sem burocracia, como talvez responsáveis pela crise mundial. Outro desse para Carrey vai demorar um pouco.

NOTA: 8,0

Trailer

Sem mais artigos