Islandeses revisitam passado em compilação e comprovam originalidade

Sigur Rós


SIGUR RÓS

Hvarf/Heim
[XL, 2007]

Hvarf/Heim Passeando entre o hermetismo clássico e o espírito roqueiro, o Sigur Rós se tornou uma banda de representatividade num estilo que talvez apenas ele desempenhe bem. Sempre aclamados pela crítica, a banda surpreendeu todos neste final de ano com dois discos com material inédito (ou quase).

Hvarf/Heim é uma compilação dupla dos islandeses lançada início deste mês. Hvarf contém versões de estúdio para músicas nunca lançadas, enquanto Heim apresenta versões acústicas de sucessos como Von e Ágætis Byrjun. As características principais da banda (incluindo aquelas que servem para esteriotipa-los) estão presentes neste disco: a voz em falsete de Jónsi, o experimentalismo, os sons etéreos com mais de dez minutos. O Sigur Rós nunca foi uma banda fácil, convencional. E, justamente por essa estranheza tenha conquistado lugar isolado entre os adoradores de sons esquisitos. Desde que surgiram em 1997, outros grupos passaram a explorar o estilo, com maior ou menor grau de êxito, como o Mogwai, mas nenhum alcançou o respeito e sucesso que estes adquiriram.

Heim, o melhor dos dois volumes começa com “Samskeyti”, de ( ) (2002), piano e violoncelo marcante, incrivelmente triste. “Starálfur”, de Ágætis Byrjun, obra-prima do disco, é brilhante por ser “convencional” aos padrões da banda. É uma das músicas-chave para entender a beleza do som destes islandeses. O disco segue com “Vaka”, outra música de ( ). Conhecida como “Untitled # 1”, Vaka é o nome da filha de Orri Páll Dýrason, membro da banda (sem trocadilhos). A canção teve um belo clipe dirigido pela diretora dark Floria Sigismondi. Para quem reclama da homogeneidade do Sigur Rós, “Ágætis Byrjun” do disco homônimo mostra o jeito único de tocar guitarra proposto pela banda.

As versões inéditas de Hvarf, entretanto, não agrada tanto nem traz surpresas quanto sua contraparte. As três primeiras faixas não eram conhecidas, e dentre elas, “Hljómalind” merece destaque por se aproximar do indie-rock inglês. Não à toa, o título significa “The Rock Song” em islandês. As duas últimas, “Von” e “Hafsól” já figuraram em outros discos do Sigur Rós, sobretudo esta última, que nem mesmo é uma nova versão, já que apareceu idêntica no single Hoppípolla (2005).

Esta compilação dupla do Sigur Rós vem numa época importante para a banda. Depois de quatro discos de estúdio e dez anos de carreira, é hora de revisitar o trabalho. Talvez esta tenha sido a opção no lugar de um óbvio “best of”. Para quem não conhece o grupo, é um bom cartão de visitas. Pena Hvarf não ter conseguido o mesmo êxito que Heim, mas ainda assim existe certa unidade sonora entre os dois lançamentos e boa escolha de repertório. Para quem é fã, não demora muito para perceber que estes dois discos não passam de algo complementar na discografia. [Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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