Sia (Foto: Divulgação)

Sia sabe. Mas não sabe que sabe
Por Hiran Hervé

SIA
Some People Have Real Problems
[Hear Music, 2008]

Sia - Some People Have Real ProblemsSia Furler é australiana, tem 32 anos e já lançou dois álbuns com sua ex-banda de acid jazz, Crisp. Mas o reconhecimento musical só veio quando se jogou na carreira solo em terras inglesas.

Seu primeiro disco solo foi lançado em 1997 por uma gravadora independente, ainda na Austrália. Seus outros discos tiveram gravadoras de renome como o selo Go! Beat Record e DancePool da Sony Music. Agora Sia é represetanda pela Hear Music.

A loirinha de cabelos curtos tem uma voz suave, com impressão de não mostrar mais do que isso, porém, sua voz alcança o tom de voz de uma Tori Amos, como é notável no recém lançado Some People Have Real Problems. A cantora australiana produz neste quarto trabalho faixas que não sugerem algo novo. Suas melodias seguem uma “estética” linear.

Influências de antigos trabalhos como jazz e R&B estão presentes, mas de forma pontuada. Ao ouvir Some People Have Real Problems é fácil assimilar o tipo de som com trilhas sonoras de séries televisivas. E não é por mero acaso. “Breath Me”, canção de Colour the Small Ones, seu disco de 2006 ganhou notoriedade por ter sido uma das músicas do seriado À Sete Palmos (Six Feet Under) e uma versão de “Paranoid Android” do Radiohead, gravada por Sia entrou no seriado adolescente The O.C.

Uma das características interessantes são algumas referências com o que se ouvia nos anos 90, quando cantoras como Sarah Maclachlan, Lauryn Hill, Tori Amos e Fiona Apple estavam mais presentes no cenário musical feminino. Também neste aspecto podemos constatar que Sia cai na mesmice não introduzindo novidades em seu som, por fim, não marcando o trabalho com sua identidade. Há de se considerar que não é nada agradável para um artista ser sempre comparado ou lembrado com outro, mas infelizmente é assim que Sia se apresenta, sem uma identidade forte, mesmo com uma bela voz. O pop-não-chiclete proposto por Sia é gostoso de ouvir, mas parece faltar alguma coisa. Talvez o chiclete, talvez a novidade.

NOTA: 6,0

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