TOTALIDADES DE SHIKO
Exposição no Recife evidencia a diversidade plástica do artista paraibano
Por Lidianne Andrade

Quadros, capas de discos, caricaturas, HQ, esculturas, fanzineiro, storyboard, desenhos pra tatuagem, campanhas publicitárias, grafitagem, flyers, cartazes… nada escapa à arte de Francisco José Souto Leite, o Shiko. Diante de tantas modalidades de arte, parece irônico que ele não queria ser chamado de artista plástico. “É algo que não diz nada sobre o que você faz. Quer dizer que você pode enfiar uns pregos num sabonete, sei lá. E minha vida como artista plástico seria como? Produzir um material que seria exposto, colocado à venda? Isso é o que eu menos faço, nunca foi o foco que eu quis dar”, explica. Verdade seja dita: definir como artista plástico a grande variedade de produções de Shiko seria limitar sua arte a apenas um gênero, já que ele está em quase todas as produções que precisem de desenho.

Natural de Patos, interior da Paraíba, e por lá até os 18 anos, o artista reside atualmente em João Pessoa, mudança feita por mera conveniência de trabalho. Começou trabalhando com publicidade, mas hoje alcança todas as áreas de arte, com caricaturas conhecidas nacionalmente (vide foto). Francisco virou Shiko enquanto trabalhava em uma agência de publicidade com três Chicos. Mudou de grafia para facilitar a vida de todos. Ao contrário do que todo mundo comenta, não é por causa do significado, é de origem japonesa e também se refere ao nome da postura de uma arte marcial, o Kung Fu. “Para ser radical e diferente eu troquei todas as letras da forma correta e acabou pegando”, revelou.

Além de talento reconhecido – já expôs em mais de 10 feiras de arte e incontáveis exposições coletivas ou individuais – Shiko representa a esperança para quem quer viver de arte. Nunca trabalhou em outra área e quando é questionado sobre “ser possível viver de arte no Brasil”, apenas sorri. Ao contrário de outros artistas, Shiko não corre para publicidade quando precisa de uma renda extra. Até porque não precisa de renda extra. Na Paraíba, é talento reconhecido, teve seu Marginal Zine publicado como coletânea pela editora independente Marca de Fantasia. Blue Note, seu HQ mais famoso, foi patrocinado pelo Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, mantido pelo governo da Paraíba.

Apesar de excelente cartunista, é nas telas à óleo que Shiko ganha amplitude e seus mais rasgados elogios. As expressões e escolhas dos temas são claramente expressas como real, parte do mundo do artista, algo com toque pessoal. É como se as pessoas retratadas fossem aparecer na próxima esquina. Em um dos quadros, por sinal, tem uma mulher inspirada em uma ex-namorada. Segundo ele, apenas inspiração, não é um retrato. Ela não foi à exposição para ser questionada, não é? Um de seus temas com destaque e grande repercussão é a série de telas a óleo com uma releitura erótica de Olívia Palito, a namorada de Popeye, seminua num balcão de bar.

Shiko já esteve por aqui mais vezes. Em setembro passado, ministrou uma oficina no projeto Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia, de Experimentação nos Quadrinhos. Atualmente está com a exposição Ah! Inferno Pra ter Cão – encantos e tentações de uma cidade, no Bar Central, na Boa Vista. A entrada é franca.

Serviço:
Ah! Inferno Pra ter Cão – encantos e tentações de uma cidade

Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 – Boa Vista).

Veja mais: www.flickr.com/derbyblue

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