GRANDE COMERCIAL DE MANOLO BLAHNIK
Continuação da série de televisão, filme não passa de uma comédia romântica incolor, inodora e insípida, mas que diverte e faz chorar
Por Fernando de Albuquerque

SEX AND THE CITY – O FILME
Michael Patrick King
[EUA, 2008]

Sex And The City é um filme de números. Nasceu com o destino de ser blockbuster. Somente em seu primeiro final de semana ele levou 171.785 espectadores aos cinemas brasileiros. E com meras 165 cópias espalhadas pelo país (número bem relevante), o filme conseguiu a melhor média de espectadores por projeção, cerca de mil e quinhetas pessoas, mas ficou em terceiro no ranking que compara o número total de espectadores. E mesmo quem não é fã da série foi ver. O maridão, porque a mulher era fã; o namorado porque a namorada adoraaaaa Miranda; as bichas…porque bicha adora coisa fru-fruzada; e as peruas porque simplesmente são peruas e são acéfalas.

O fato é que Sex And The City – O Filme é ruim. Ele passou a dar preguiça nos fãs ainda quando todo mundo começou a ler as dezenas de entrevistas de Sarah Jessica Parker (nem preciso lembrar que ela interpreta Carrie) em todas as publicações possíveis. Ela contou de tudo e principalmente de como é boa mãe, que leva o filho na escola e que as quatro moçoilas da série jamais tinham decidido fazer o filme por dinheiro. ( Seeeeeeeei…!!!!!)

Em teoria o filme passa quase dez anos depois do fim da série. Tipo…elas estão na casa dos 40, usam mascaras reparadoras e os problemas? Esses são os mesmos só que piorados. Afinal, com 30 você pode ATÉ se apaixonar por um canalha. Mas na casa dos quarenta…sonha-se em não estar casando com ele já que não há mais opções. E esse é o caso de Carrie e Mr. Big, seu namorado cafona, mas com todo aquele sex appal típicos quem sabe trepar bem.

Mas apesar das rugas de expressão e da velhice, dos quilos a mais e das novas responsabilidades, Carrie (Sarah Jessica Parker), Charlotte (Kristin Davis), Miranda (Cynthia Nixon) e Samantha (Kim Cattrall) agem como se ainda tivessem acabado de completar 20 anos. Isso irrita, e muito, mas não teria sido o grande problema se elas se contentassem em levar a vida de uma mulher com essa idade. Indo de encontro ao que ocorria na série, elas não querem mais saber de sair todas as noites e ficar com o maior número de caras possível. Elas querem casar, ter filhos e comprar apartamentos de milhões de dólares e já não se comportam à altura de suas ambições.

No lugar das mulheres independentes, poderosas e com roupas simplesmente incríveis, encontramos no cinema criaturas infantis e birrentas, que lembram molecas de seis anos tentando se equilibrar nos sapatos de salto de suas mães, com os rostinhos transformados por batom borrado. O papel mais bem resolvido é o Jennifer Hudson. A bonita é contratada como assistente de Carrie. E esse tipo de comportamento narrativo acaba se refletindo diretamente nos personagens masculinos. Embora Mr. Big seja um apaixonante destruidor de corações e Steve (David Eigenberg) seja cada dia mais adorável, incomoda vê-los tão acuados dentro da trama. São pouquíssimas falas e nenhuma delas de relevância.

Isso só aumenta a incongruência do filme em relação à minissérie. Ele se salva pelas tradicionais tomadas de lugares espetaculares de Manhattan. Dá vontade de pegar o primeiro vôo. Uma cena romântica também faz todo mundo suspirar com gosto e passar a mão na coxa grossa de quem está do lado. Mas apesar de tudo, o principal atrativo é o retrato da amizade. É impossível não encher os olhos de lágrimas que nos fazem lembrar de como a vida seria impossível sem os amigos.

NOTA: 4,0

[+] TIMTIM POR TIMTIM DAS PERSONAGENS

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