O diretor Tabajara Ruas no Cine Pe (Foto: Agência Aurora/Divulgação)

Deixar de fazer uma análise comparativa em eventos que duram mais de três dias é quase impossível. E assim, o segundo dia de exibições do Cine-PE (Festival do Audiovisual de Pernambuco) deixou muito a desejar. Na programação estavam seis curtas, três em digital e três em película e o documentário, do diretor Tabajara Ruas, Brizola: Tempos de Luta. Conhecido por privilegiar as produções nordestina, mais precisamente a pernambucana, o festival contrariou a própria vocação selecionando apenas um curta paraibano.

Quem abriu os trabalhos da noite foi o paulistano Fernando Guilhermez com a animação Mascate. O curta conta a história de um sertanejo rude e suas dificuldades em expressar seu interesse pela mulher amada. Além de pecar no argumento e na própria condução da história, a estética do vídeo mais beira um comercial do Cuzcuzmil do que um filme que concorre a premiação em um festival de “grande porte”.

Na seqüência foram exibidos Coração de Tangerina (SP) de Juliana Psaros e Natasja Berzoini e O Guardador (PB) de Diego Benevides. Ambos são trabalhos realizados dentro do circuito universitário e mostram correção lingüística, mas pouco apuro estético. Mais bem sucedido o curta paraibano narra, às pressas e em meio a cadáveres, partes do corpo humano e ossos, a vida de S. Fernando, responsável pelo laboratório de anatonia da UFPB. O curta é o próprio personagem sem acréscimos ou decréscimos.

As produções em 35mm começaram até animadas com Um Ridiculo em Amsterdã (SP) que despertou a platéia em sacadas metalingüísticas bem costuradas na história fictícia de um homem que viveu desde os oito anos por si mesmo e que ganhou uma promoção da empresa em que trabalha para viajar à capital Holandesa. O plus do curta não está na história em si, mas no próprio meio de fazê-la e as palmas foram mais que merecidas. Seguindo a seqüência vieram O Livro de Walchai (RS) e Saliva (SP). Ambos dois mamutes endinheirados por bons fundos de patrocínio, mas que deram sono a uma platéia que foi visivelmente pequena em relação ao primeiro dia do Festival.

Longa
Brizola – Tempos de Luta, de Tabajara Ruas, era um dos mais esperados do Festival. Na platéia viam-se prefeitos, deputados e outros políticos, além dos tradicionais ativistas. O filme começou dinâmico mostrando toda a trajetória do homem chamado Leonel de Moura Brizola e sua participação nos acontecimentos que marcaram a história contemporânea do Brasil, nos últimos 60 anos. A platéia pequena foi se tornando cada vez mais rarefeita com o passar da projeção que vai ganhando um tom moroso e excessivamente lento.

De início dinâmico e bem ativista o filme pinta em cores a vida de Brizola que parece nunca ter passado uma única agrura pessoal em todo seu caminho, fora a repressão política durante os anos de chumbo. Alguns temas de sua vida foram completamente negligenciados. A exemplo sua turbulenta relação com a filha, Neuzinha Brizola, personagem tão polêmico e contraditório quanto o pai. O filme arrancou aplausos da platéia quando exibiu, com direito a detalhes, a exibição do direito de resposta lido por Cid Moreira, na Rede Globo de televisão.

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