Secret Machines (Foto: Divulgação)

MÁQUINA EM CRISE
Banda desacelera influência psicodélica, mas ares de renovação não dão muito certo
Por Lidiana de Moraes

SECRET MACHINES
Secret Machines
[TSM, 2008]

Dizem que as más notícias chegam rápido. Se elas não chegaram ainda, o melhor a fazer é contá-las de supetão, sem muitos rodeios. Por esse motivo, em respeito aos fãs do Secret Machines, o veredicto vai ser dado sem muito preparo: o novo disco da banda do Texas não é bom. No entanto não há motivo para desespero, é só manter em mente que até em seus piores momentos, o Secret Machines fica acima da média de toda forma.

A banda que surgiu em Dallas no ano 2000 chamou a atenção de cara com o ótimo EP September 000. Depois vieram os discos Now here is nowhere e Ten Silver Drops que serviram para consolidá-los como um dos grupos mais promissores da nova geração. No entanto, entre o disco de 2006 e o atual, a banda passou por mudanças: o guitarrista Benjamin Curtis saiu para se dedicar ao seu outro trabalho School of Seven Bells.

A saída do irmão do vocalista Brandon Curtis parece ter diminuído um pouco da influência psicodélica. Contudo, o decréscimo da sonoridade anos 70 não deixou as melodias mais pesadas, pelo contrário; a bateria de Josh Garza, sempre um dos elementos mais marcantes das canções, perdeu seu “punch” a la Keith Moon. O erro do disco homônimo parece ser é justamente esse: está em falta um pouco de tudo aquilo que transformou o Secret Machines em uma das bandas mais legais da nova safra.

A primeira canção do trabalho, “Atomic Heels” não desaponta os ouvintes de primeira viagem. Há a batida compassada ditando o ritmo, a guitarra tem distorção e Brandon continuando cantando magistralmente, provando ser um dos melhores vocalistas do rock atual. Dificilmente a melodia de “Atomic” não ficará em modo “repeat” na sua cabeça, assim como “Lightining Blue Eyes” e “Nowhere Again” um dia também ficaram.

A partir de “Last Believer, Drop Dead” a mágica começa a perder efeito. As canções parecem perdidas, inacabadas ou mecanizadas demais. O tamanho das músicas nunca foi muito preocupante se tratando de uma composição do Secret Machines. Eles nunca foram punks para escreverem canções de 2 minutos ou menos. As influências sempre se aproximaram mais de grupos com maior profundidade melódica como Pink Floyd e My Bloody Valentine. Mas neste novo disco, faixas de 7 minutos como “Have I Run Out” ou de 11 como “The Fire Is Waiting” não tem o mesmo fôlego ou a sensação onírica que canções como “You Are Chains” e “Daddy Is In The Doldrums” um dia tiveram.

Junto com “Atomic Heels”, a faixa “I Never Thought To Ask” também se salva com as suas pinceladas Bowiescas no maior estilo “ground control to Major Tom…”. Mas no fim, essas são essas as poucas canções de Secret Machines que marcam. No fundo parece que as máquinas secretas realmente dominaram Brandon Curtis e Josh Garza.

NOTA: 6,0

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