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TRASH TOUR PELO PAÍS
Com a pecha de underground, Sebastião Estiva lança um CD para cada Estado do país em gravações que pecam pela inexistência de qualidade mínima
Por Iúri Moreira

SEBASTIÃO ESTIVA
Fidel Castro 1926-2010 CTZ
[P-ME Records, 2008]

Escrever sobre música as vezes é uma bela de uma armadilha. Explico: recebi a pauta da semana e entre minhas obrigações estava a de fazer a crítica do novo disco do Sebastião Estiva! Quem? Sebastião Estiva! Bom, nunca ouvi falar, confesso. Lá vou eu, então, atrás de algo que possa fundamentar uma crítica à música do cara. Vasculhei a internet, fui na Trama Virtual, Orkut, My Space, li a entrevista dele aqui mesmo n’O Grito! e baixei o CD.

CD é exagero. Deixa explicar: consta que Estiva é um artista underground que gosta de se esconder e se apresentar sob pseudônimos. Mais clichê impossível, mas tudo bem. O cara resolveu lançar um disco para cada Estado do País, e desovou Come on feel the Tocantinoise, The massACRE, Meu Paranã: Verdades, Mitos e Falácias e Sebastião Estiva Ama Zonas, pelo que andei lendo por aí. Então, e aí eu cito o release, “quando na noite de primeiro de janeiro de 2008, Sebastião Estiva fez seu já tradicional show surpresa de ano novo usando um pseudônimo qualquer em um pequeno bar de Curitiba, um fã lhe reconheceu e conseguiu captar algumas das músicas em fita”. Por isso que CD é exagero.

Chamado de Fidel Castro 1926-2010 CTZ, o EP possui três músicas: “Inspirando Uma Atividade Etérea”, “Inspirando Uma Atividade Slacker” e “Inspirando Uma Atividade Redbenze”. É o registro do reencontro de Sebastião Estiva com sua banda de apoio, Os Anões da Resistência, para iniciar o processo de gravação de seu próximo disco, ainda sem título, sobre o estado de Pernambuco (POR ISSO que me deram a pauta, agora entendi). Voltando ao release, “sem tempo para ensaiar antes da apresentação, a banda subiu ao palco sem a pressão de estampar o nome de Estiva (sério?), tocando no mais feliz anonimato, e decidiram apresentar apenas temas instrumentais inspirados nos shows de músicos como Hermeto Pascoal e Allison Jazz Ensemble“.

Não, peraí, eu realmente li isso? Sinceramente, o cara se acha. Pra quem entende um pouco de música, não tem nada no EP que uma banda com menos de um ano de estrada formada por recém-adolescentes não faça melhor. Instrumentos desafinados, briga com o metrônomo, solos bêbados e barulho não podem ser considerados experimentalismo proposital ou qualquer outra coisa cabeça que me foge agora. As três faixas são instrumentais, não deu nem pra sacar a poesia do cara (que os fãs na comunidade dele no Orkut dizem ser interessante). Bom, a quem interessar possa, o disco será lançado no Myspace, Tramavirtual e também pela gravadora espanhola Locomotiva Music. E vou-me nessa escutar Roger Waters, que é o melhor que eu faço.

NOTA: o autor do texto se recusa a dar nota

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