De Electro a Disco. Luxo e carão é o que há.

MUITA OSTENTAÇÃO E POUCO VIRTUOSISMO
Sem camaleônismo Scissor Sisters lança álbum pouco original, mas faz a mais sisuda das platéias rebolar do começo ao fim
por Fernando de Albuquerque

SCISSOR SISTERS
Tah-Dah
[Sony BMG, 2006]

O debut, com um álbum homônimo, foi em 2004 e causou um frisson irreparável nas principais pistas de dança do mundo. Ninguém passou incólume a hits como “Laura” ou mesmo o refrão “Take your Mama out of night”. E, passados dois anos, os nova-iorquinos (que foram adotados pelo melhor da cool britania) trazem ao público o Tah-Dah

O novo disco não traz nem um pouco de ousadia e diversidade do primeiro, pelo contrário, parece uma cópia. Mas carrega meia dúzia de canções muito boas. São baladas rock que lembram musicais alternativos dos idos anos 1970, como “The Rocky horror picture show” ou um climinha a lá Elton John. E com arranjos pouco convencionais, que soam como nada atualmente no pop. A trupe comandada por Jake Shears expressa sua identidade em canções como “Eveybody wants the same thing”, ou “Kiss Of you” puxada por Ana Matronic. Além disso, há a boa e velha dose de irreverência, classudismo e ousadia visual que marca tudo que é produzido por eles.

Apesar de não trazer nada de novo Tah Dah nega seu irmão mais velho com timbres bem calcados na disco, tendo na música pop o produto final. Esse trabalho traduz com mais força a marca da banda, que mesmo trazendo a temática gay, mostra que, com o teor irônico de algumas faixas, pode ser ouvido em qualquer hora e lugar.

“I Don’t Feel Like Dancin'”, o primeiro single, tem participação de Elton John no piano e exala um espírito tão grudento que já chegou a vender cerca de 45 mil downloads na Europa. Capaz de fazer o mais pudico dos senhores dar uma de John Travolta em plena fila do INSS.

Tah Dah é um disco que exige preparo. Pernas bem malhadas, resistência física, um look ultra-fashion e boa dose de gingado mesmo dentro do quarto. Jake Shears, é quem puxa a ótima “She’s My Man” e evoca o pop oitentista do qual todos nós somos filhos. “Might Tell You Tonight” é aquela típica balada bonitinha. Prefeita para momentos l’amour.

O clima fica mais chocante quando se houve o refrão, com um banjo ao fundo, de “I Can’t Decide”. “Não consigo decidir/ Se você deve viver ou morrer” faz com que qualquer pessoa se identifique e o repita à exaustão: God Save Scissor Sisters!

História – Os Scissor Sisters iniciaram suas atividades em 2003 e chegaram para conquistar os EUA e a Europa com um visual glam e “’Comfortably Numb” – uma versão para a música do Pink Floyd incluída no álbum de 1979, “The Wall” – na carteira.

O espanto inicial, proporcionado por tantas plumas e corpos sarados, deu lugar a uma rendição gradual ao som dançante e aos falsetes estridentes que se alimentam do melhor da cultura gay e da herança deixada por Elton John, Bee Gees, Supertramp ou David Bowie. E claro, com resultados cantaroláveis e muito coloridos. “Comfortably Numb”’, o lado B do primeiro single da banda foi recebido com entusiasmo pela crítica, sobretudo na Grã-Bretanha, onde a canção ganhou generoso airplay.

Com um contrato com a Polydor britânica no bolso, Jake Shears (Vocalista), Ana Matronic (vocalista), Babydaddy (teclas e baixo), Del Marquis (guitarra), Derek G (guitarra) e Paddy Boom (bateria) trocaram a grande maça pelo mundo promovendo seu primeiro trabalho, um longa-duração homônimo, com concertos onde a teatralidade e a exuberância garantiram falatório.

Ao longo de 2004, os Scissor Sisters, cujo nome é calão para sexo lésbico, atuaram junto de artistas como B-52’s e Duran Duran, fazendo a sua estréia mundial em Portugal no festival “Paredes de Coura”.

NOTA:: 9,0

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