Scarlett Johansson (Foto: Divulgação)

DISCO DE LOIRA
Atriz lança álbum de estréia em uma dobradinha com a participação de Bowie e músicas de Tom Waits
Por Fernando de Albuquerque

SCARLETT JOHANSSON
Anywhere I Lay My Head
[Atco ,2008]

Dona de um corpo invejável e uma performance cênica que faz até o mais afeminado dos homens suspirar de desejo – e para isso basta lembrar-se dela em Match Point, ou mesmo Lost in TranslationScatlett Johansson lançou uma das coletâneas mais esdrúxulas dos últimos tempos. O disco, que chega às prateleiras no próximo dia 20, tem seu conteúdo já conhecido devido às seis faixas que a Warner Music divulgou na última semana. O talento dela como atriz é inquestionável, já o de cantora….deixa um pouco a desejar, assim digamos.

O disco, intitulado Anywhere I Lay My Head, é composto por uma série 10 faixas de covers de Tom Waits, músico famoso pela voz maviosa e sagaz, ao lado da faixa “Song For Jo”, escrita e musicada pela própria Johansson. Acrescido à essa mistura bizarra estão os vocais de David Bowie que canta em duas faixas “ao lado” da nova singer em “Falling Down” e “Fannin Street”. A voz do ziggy stardust foi acrescida já durante a mixagem do disco. Sobre o tema, o próprio cantor divulgou nota oficial em seu site que diz em claro e bom inglês: “Tudo que fiz foram alguns ohs e ahs em duas canções” (sic). Somadas à essa amálgama de talento pulsante está o produtor David Sitek, que é guitarrista do Tv On The Radio e o guitarrista Nick Zinner do Yeah, Yeah, Yeahs.

Apesar das boas escolhas musicais com “Anywhere In My Head”, “Falling Down”, “Fawn” e “Town With no Cheer” é quase impossível não lembrar das maravilhosas interpretações de Waits e conseqüentemente lembrar que Johansson tem 26 filmes no currículo, foi eleita pela Playboy e Esquire como a mulher mais sexy do mundo. Nessa tentativa frustrada de ser uma profissional multifacetada (tais como aquele pessoal que quando apresenta o currículo tem: fulaninho de tal produtor, jornalista, blogueiro, artista, modelo, manequim, pesquisador, escritor e crítico) Johansson mostra que sua atuação é bem melhor nas telonas. Ela canta como se estivesse em um filme, um musical meio beatnik.

Esse dark side por baixo de sua estonteante beleza de pin up a la Marilyn Monroe não convence. Johanson decidiu passear ao lado do mais bastardos dos ícones americanos que retrata com bravura o lado mais selvagem de uma américa que nem mesmo Lou Reed ousou circular anos atrás. Mas o disco é corretíssimo. Não há um timbre que não esteja no lugar, uma única nota que não tenha sido milimetricamente estudada. Correção somada à gostosura faz com que Anywhere I Lay My Head se torne um disco até aceitável, mas que, sem margem para dúvida, não conseguirá embalar uma noite inteira sozinho.

Embora não haja shows programados, Scarlett disse em entrevista à revista Rolling Stone que pretende dar um jeito de se apresentar em alguns festivais e outros lugares onde haja um público receptivo ao trabalho. Waits já foi gravado, entre outros, por Bruce Springsteen, Marianne Faithful e Bob Seger. A cantora de jazz canadense Holly Cole lançou em 1995 o álbum Tempation só com músicas de Waits. Não teve a mesma atenção que o de Scarlett está tendo, mas retém o título de ter ser a única mulher a gravar um disco com apenas músicas de Waits.

NOTA: 5,0

Matéria sobre Johansson do Uol Mais

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