Álbum homônimo de Sasami Ashworth é uma grata surpresa de um dos nomes mais interessantes da renovação do indie rock

e as guitarras agridoces para curar a fossa
NOTA8

Para os ouvintes já imersos no cenário independente, o som produzido pela norte-americana Sasami Ashworth pode soar familiar. A musicista, que repaginou o nome artístico para SASAMI, já trabalhou em projetos com Wild Nothing, Cherry Glazers, Curtins Harding, entre outros nomes. Dessa vez, a norte-americana resolveu sair dos bastidores e voltar os holofotes para si.

SASAMI, em seu álbum de estreia autointitulado, abre as feridas de um relacionamento amoroso de outrora, tornando as guitarras presentes em toda audição do disco na sua mais fiel amiga.

Com composições introspectivas, mas que não deixam de refletir experiências vividas pelo ouvinte, SASAMI procura sua libertação do fardo da culpa. São versos marcados pela autoafirmação, em que a cantora lembra a si mesma de não carregar a responsabilidade pelo o fim do relacionamento.” Eu era uma janela para algo que você não gostou / Então você me culpou / E você pensou que isso fez você livre / Mas não é assim que funciona, meu amor.”, entoa em “I Was a Window”, faixa que abre o disco.

Durante a audição, a cantora apresenta um belo diálogo entre os sentimentos emoldurados nas letras com o percurso que dá aos arranjos. Os riffs carregados de efeitos e ruídos, típicas do gênero shoegaze, são bases para os versos mais expressivos e por vezes conturbados. Uma construção sonora para narrar os conflitos internos de SASAMI.

Em outros momentos, a norte-americana opta por melodias mais desalentadas e melancólicas, contornadas por uma guitarra acústica. Caso da frágil “Free”, parceria com o cantor Devendra Banhart. A canção é guiada por um arranjo econômico que abre caminho para os versos repletos de solidão. “Eu estou sonhando com coisas terríveis/ Porque o nosso tempo está acabando/ E você não sabe e não sabe”.

Após tantos projetos engajadas, Sasami Ashworth finalmente assume o papel principal dentre os seus trabalhos já produzidos. A cantora abre-se ao público para contar a trajetória marcada pela dor de uma desilusão amorosa. São canções cuja lírica é alimentada por sentimentos agridoces. A melancolia e o empoderamento sentimental tornam-se quase tangíveis graças as guitarras.

Nessa proposta tão bem executada, SASAMI dialoga consigo mesma a fim de compreender que as frustrações amorosas não são exclusivas para alguns, mas que fazem parte da vida.

SASAMI
Sasami
[Domino, 2019]

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