Por Renata Giraldi
Da Agência Brasil

Polêmico e crítico, o escritor português José Saramago jamais se furtou ao envolvimento em controvérsias. Fez restrições ao Papa Bento XVI, à política externa de Israel, aos governos autoritários e ao capitalismo.

Em 1998, o português recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Desde então, afirmou que a “atividade pública” dele foi incrementada. Assim, aumentou também a preocupação com os direitos humanos e a busca por uma sociedade mais justa, como confidenciou na sua autobiografia.

“Em consequência da atribuição do Prémio Nobel, a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas”, disse Saramago, na autobiografia, divulgada no site da fundação que leva seu nome.

O estilo de Saramago se caracteriza por frases e períodos longos com uma pontuação nada usual – ele preferia a vírgula ao ponto, por exemplo. Alguns dos parágrafos de Saramago ocupam páginas inteiras. O estilo dele é considerado de leitura mais difícil pelo ritmo que impõe. Em 63 anos de carreira, desde sua primeira publicação em 1947, o português escreveu romances, peças teatras, contos, poemas, crônicas, diários de viagens e memórias e o infantil A Maior Flor do Mundo.

Recentemente, Saramago resolveu também se dedicar ao blog. Nele, o escritor opinava sobre filmes, acontecimentos políticos de Portugal e do exterior e lá exercia uma das atividades que mais gostava – a discussão e a polêmica. Para ele, um escritor deveria interferir e participar do processo político, econômico e social no mundo.

Em 29 de janeiro, depois do terremoto que atingiu o Haiti e matou cerca de 220 mil pessoas, além de desabrigar 1,3 milhão, Saramago lançou uma campanha de solidariedade aos haitianos. Denominada Porque Todos Temos uma Obrigação, a campanha acabou inspirando uma edição especial do livro A Jangada de Pedra, cujas vendas foram revertidas para as vítimas do terremoto.

Sem mais artigos