IGUAL, PERO NO MUCHO
Aclamada pela crítica como a nova M.I.A., cantora americana mostra personalidade própria em álbum de estréia
Por Gilberto Tenório

SANTOGOLD
Santogold
[Downtown, 2008]

O curioso nome Santogold pode remeter, em um primeiro momento, a uma palavra masculina. Entretanto, trata-se do pseudônimo de Santi White, cantora norte-americana que está lançando seu álbum de estréia, Santogold. Aclamada pela imprensa internacional como a ‘nova’ M.I.A., a artista mostra, além de personalidade e talento em seu debut, que a comparação não pode ser levada tão ao pé da letra quanto os críticos musicais estão propagando.

É bem verdade que ambas têm um visual bastante parecido – tanto no físico (negras, jovens) quanto no estilo (algo como um mix de várias tendências do street wear). Também não é incorreto dizer que a musicalidade das garotas tem vários pontos de interseção como, por exemplo, a mistura de pop, reggae e rap para se fazer um tipo de música que tem na originalidade sua maior qualidade. Contudo, enquanto M.I.A. explora ao máximo as possibilidades da fusão de ritmos, Santogold constrói sua sonoridade de uma forma mais linear, porém não menos criativa.

“Shove It” e “Creator”, terceira e quinta faixas do disco, respectivamente, são os melhores exemplos das semelhanças entre as cantoras. A primeira, um reggae com inserções de ‘pancadão’ eletrônico e a segunda, um ótimo eletro-funk, evidenciam o porquê das comparações entre elas. Porém, ao longo da audição completa do CD, Santogold estabelece que não é um mero clone da artista anglo-cingalesa.

“Les Artistes”, primeiro single do trabalho, é um pop da melhor categoria com sintetizadores à la anos 1980 e um vocal que lembra a cantora Cindy Lauper. Na radiofônica “Lights Out”, melhor exemplar da linearidade do álbum, a cantora surge com a voz mais doce amparada por um arranjo de guitarras, lembrando o estilo britpop. A balada moderninha “I´m a Lady”, canção muito superior as feitas pela maior parte das artistas de R&B, e a dançante “You’ll Find a Way” são outros bons destaques de um trabalho com o qual a nova artista deixa claro que tem muito o que mostrar ao público.

Durante sua passagem pelo grupo de punk/new wave Stiffed, do qual era vocalista, Santogold chamou a atenção de Mark Ronson, a alma por trás do CD Back To Black, de Amy Winehouse. O produtor escalou a cantora para participar do disco Version – álbum em que vários artistas fazem releituras de sucessos do indie e do pop. Após essa empreitada, a artista ganhou os holofotes ao ser convidada para abrir os shows de Björk na turnê americana da islandesa. Com o álbum homônimo de estréia, Santogold apresenta criatividade e talento de sobra para fazer muito barulho e chacoalhar a mesmice da música pop.

NOTA: 8,0

Santogold – L.E.S. Artistes

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