SANDY E JÚNIOR
Acústico MTV Sandy e Júnior
[Universal, 2007]

17 anos e 18 discos depois, a dupla mais famosa do imaginário pop brasileiro chega ao fim. Experiência única na música brasileira, o fenômeno Sandy e Júnior anunciou a separação em abril último. O último canto é este Acústico MTV Sandy e Júnior, que chega às lojas esta semana, e a turnê do disco, com previsão de passar por mais de 40 cidades até o final do ano.

Com fama de reacionários e engomadinhos, a dupla viveu o apogeu de locais lotados e milhões de discos vendidos por parte do público e o preconceito da crítica especializada. A parceria chega ao fim sem concretizar seu plano de expansão – tanto criativo quanto mercadológico. O sucesso nunca chegou às platéias mais maduras, muito menos ao tão almejado mercado americano. O disco internacional, lançado em 2002, vendeu à época menos de mil cópias nos EUA. Um fiasco. Criativamente, o público da dupla não amadureceu com eles. Perdidos numa eterna pré-adolescência, pediam sempre por letras repletas de ingenuidade, romantismo piegas e sensualidade reprimida. Presos neste ciclo vicioso de alta rentabilidade, não puderam alargar as referências e seguiram tímidos no seu alto potencial até o fim. O jazz de Sandy, experimentalismos pop, novos instrumentos, novos produtores, eram grandes as possibilidades. O público brecou esta inevitável evolução.

Sandy e Júnior ficaram à vontade no formato desgastado do Acústico MTV, mas faltou inovação ao disco. O repertório foi bem construído, mas algumas músicas na versão desplugada não caíram bem, como “Love Never Fails”, de Internacional. Outras, inusitadas, se mostraram bons acertos, como “Quando Você Passa (Turu Turu) (Turuturu)” e a faixa escondida “Maria Chiquinha”. As versões chupadas de sucessos gringos, como “No Fundo do Coração (Truly, Madly, Deeply)”, já eram horrendas elétricas, acústicas, ficaram piores. Quando chega “Cai a Chuva”, última faixa, os ótimos arranjos e bela interpretação de Sandy, vemos o quanto a dupla é talentosa. Este acústico como epitáfio de uma carreira milionária (mais de 15 milhões de discos vendidos) foi uma ótima idéia. Livre de toda pretensão ou qualquer tentativa de soar como algo novo, os irmãos estavam despreocupados e fizeram deste disco, o mais despretensioso da carreira.

As participações especiais, típicas de Acústicos, vai de Ivete Sangalo a Marcelo Camelo. Talentosos, Sandy e Júnior encerram uma carreira no momento certo. No desgaste do formato e limite criativo que encontraram, não precisam mais serem factóides de si mesmos, entretendo um público que não mais os compreende. Agora, Sandy Leah e Júnior Lima têm uma longa carreira a seguir. Ao menos estrutura e equipe de boa qualidade eles têm. Só resta saber se os antigos fãs os acompanharão nas novas experiências. [Paulo Floro]

NOTA: 6,0

Sem mais artigos