Rufus Rainwright (Foto: Divulgação)

RUFUS RAINWRIGHT
Release the Stars
[Geffen, 2007]

Rufus Rainwright - Release the StarsAbençoado com “genes musicais” – ele é filho de Loudon Wainwright III e Kate McGarrigle, e irmão de Martha Wainwright – e dono de uma das vozes mais bonitas do mundo da música, Rufus Wainwright volta em Release The Stars, lançado oficialmente em maio deste ano. O novo álbum é seu 5º trabalho de canções inéditas, com a produção de Neil Tennant (responsável por trabalhos do Pet Shop Boys) e Marius Devries (David Bowie, Björk, Madonna) na mixagem. O cantor ficou longe dos estúdios por três anos, depois do lançamento de seus dois álbuns Want I (2003) e Want II (2004).O virtuosismo vocal de Wainwright e a complexidade instrumental (elementos de orquestra, por exemplo) de sua música transformam o que poderia ser apenas pop ou folk em um talento impecável e diferente de tudo que vende hoje. Suas composições revelam alguém cansado de viver num mundo opaco e homicida. Seus versos trasbordam fatiga e melancolia, como se suplicassem por paz, aceitação e conforto para a sua alma imersa em sofrimento. Talvez toda essa angústia decorra de seu passado peculiar.

Há oito anos, em uma entrevista à revista Rolling Stone americana, o cantor revelou ser homossexual e que seu pai sabia disso desde quando era muito pequeno. Segundo ele, sua família nunca aceitou o fato e não houve diálogo sobre o assunto. Aos 14 já saía com homens que conhecia em bares. Numa dessas situações, foi estuprado e roubado num parque em Londres. Além disso, o “messias gay”, como é conhecido, já teve problemas com drogas.

Suas canções têm essa carga de lamentação pela tragédia da existência humana. O mesmo acontece em Release the Stars. “Do I Disappoint You” abre o disco de forma grandiosa, com um coro no estilo Arcade Fire. O tom niilista das letras já se manifesta em versos como: “Do I disappoint you, in just being human?” (Eu desaponto você por ser humano?), “Do I disappoint you, in just being lonely?” (Eu desaponto você por ser solitário?) e “’Cause, baby, no, you can’t see inside/ No, baby, no, you can’t see my soul” (Porque você não pode ver o que há aqui dentro/ Não, você não consegue ver minha alma).

O disco é, de certa maneira, mais democrático que seus trabalhos anteriores, apresentando letras e arranjos mais simples. Mas isso não significa que Wainwright caminha para uma carreira de pop star. As experiências mais mainstream de sua carreira de Wainwright são as participações em trilhas sonoras de filmes como “Uma lição de amor” (2001, regravando “Across the Universe”, dos Beatles), “Moulin Rouge” (2001) e “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005).
[Mariana Mandelli]

NOTA: 8,0

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