ROBERTA SÁ EXPLORA MULTIPLICIDADE DO SAMBA
Apesar da boa recepção da crítica, Roberta Sá é vítima de polêmicas com Maria Rita
Por Rêmulo Caminha

Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria é o título do mais recente trabalho da cantora Roberta Sá. Trata-se de um verso do pernambucano Lula Queiroga, extraído da canção “Belo Estranho Dia”, fio condutor de todo o álbum. Longe dos estúdios há quase três anos, após o lançamento do primeiro disco No Braseiro (2004), a cantora extrapola todas as possibilidades e dissonâncias do samba, o ritmo que mais a identifica.

De origem potiguar, mas radicada no Rio de Janeiro há 15 anos, a cantora consegue reunir velhos e novos compositores numa única obra, explorando a multiplicidade do samba ao apresentá-lo como samba de roda e de raiz, choro; trazendo, também, marcha-rancho, jongo, frevo e um pouco de bossa nova. Roberta Sá arrisca e acerta na batida, no tempo e na variedade que carrega o seu novo som. Sem dúvidas, o álbum é resultado de um longo processo de criação, característico de uma artista que aposta na intimidade com cada unidade da canção, começa com a escolha dos compositores culminando nos reajustes finais da melodia.

A cantora recebeu atenção da crítica não quando regravou ” A vizinha do Lado” de Dorival Caymmi, mas, sobretudo, ao reaparecer com o primeiro álbum quase um ano e meio após esse estouro, que foi vinculado à trama de Gilberto Braga, passando no horário nobre da Rede Globo durante o ano de 2003. Roberta Sá, em vez de aproveitar a exposição, preferiu dar continuidade ao trabalho de realização daquilo que seria o seu primeiro disco, lançando-o somente no final de 2005.

Apesar de bem recebida pela crítica, a intérprete não deixou de protagonizar polêmicas. Principalmente, após Maria Rita regravar “Casa Pré-Fabricada” de Marcelo Camello, faixa que já figurava no disco de estréia da cantora potiguar, rendendo uma série de comparações entre ambas na mídia. Agora, o próximo disco da filha de Cesar Camargo Mariano e Elis Regina, ícone da MPB, traz “Novo Amor” de Edu Krieger, faixa que também está em Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria. Além dessa coincidência, Roberta Sá conta novamente com a produção de Rodrigo Campello e consolida a parceria profissional com o namorado Pedro Luis, responsável por canções desde o disco de estréia da artista.

No segundo trabalho, Roberta Sá esquece um pouco dos compositores preferidos pela maioria dos intérpretes. A aposta não é mais em Chico Buarque ou Marcelo Camello, a artista se volta agora para outros talentos como Rodrigo Maranhão, Junio Barreto, Lula Queiroga, Pedro Luis, Roque Ferreira, Edu Krieger e Lenine.

Garimpando, ainda, clássicos e redescobrindo pérolas desconhecidas de Dona Ivone Lara e Décio Carvalho, como a música “Cansei de Esperar Você”. Sem medo, rebatiza Sidnei Miller, trazendo a música “Alô Fevereiro”. O álbum além das 11 faixas, traz também duas a mais, o tal bonus track. Na verdade, é um presente aos fãs que, durante as apresentações, sempre pediam “Girando na Renda” de Pedro Luis e “Samba de um minuto” de Rodrigo Maranhão, música que deixou de entrar em No Braseiro porque foi regravada por Rita de Cássia, que faleceu. Roberta Sá, em respeito à memória da cantora, optou por deixar de lado a bela canção, lançando-a somente no segundo CD.

Que Belo Dia Para Se Ter Alegria tem a leveza para se esquecer o peso do dia-a-dia. No dueto “Fogo e Gasolina”, com auxílio de Lenine, Roberta Sá exemplifica a intenção e deixa uma clara mensagem para que todos sejam mais felizes.

NOTA: 8,5

Sem mais artigos