Mais uma revista musical pode deixar de existir no papel – literalmente. Desta vez é a Spin, uma das mais prestigiadas publicações ligadas ao universo musical independente. Criada nos EUA, em maior de 1985, ela deu espaço para artistas como R.E.M., Beastie Boys, sem falar na cena hip-hop, a qual cobriu com destaque. No início de julho, o grupo de mídia Buzzmedia, dona do Stereogum, Hype Machine e Videogum, comprou a empresa, com a promessa de melhorar a performance online da publicação.

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Revista Paste chega ao fim

Agora, nesta semana, foi anunciado que a edição de novembro/dezembro será cancelada. Com isso, a Spin pode entrar para o time de revistas de música que interrompem sua existência impressa, passando a atuar apenas na internet. A situação não é fácil, já que essas publicações competem com blogs que mudaram o modo como as pessoas acompanham o mercado musical. Publicações dão como certo o fim da revista após a edição de agosto, que terá Azealia Banks na capa. Segundo o site AVClub, a Buzzmedia demitiu um terço da redação, incluindo o editor-chefe.

Segundo Tyler Goldman, executivo-chefe da Buzzmedia, a Spin é mais do que uma revista impressa, mas “uma companhia de mídia sobre música e cultura musical”, disse em entrevista ao NYTimes. “As pessoas estão usando diversas plataformas para consumir mais conteúdo(…). E vemos na Spin uma habilidade de levar boas histórias para as plataformas digitais”.

Já a revista eletrônica Prefix, acredita que esse declínio do jornalismo musical impresso, se deve ao fato de ser impossível de tocar uma música pelo papel. “Serviços que permitem embutir reproduções de mídia, como Soundcloud, Bandcamp e YouTube estão matando as revistas de música, mais do que qualquer tablet ou dispositivos móveis”, diz o artigo assinado por Sarah Geffen.

Aqui no Brasil, as revistas acabaram menos por uma conjuntura das inovações tecnológicas e mais pelo momento da música pop nacional da qual se pautavam. Talvez tenha faltado um maior entendimento entre editores e público sobre o direcionamento. Ou talvez, por volta do início da década passada, muita gente tenha se perguntado: “ainda precisamos de uma revista de música”? A Bizz tentou um retorno pela editora Abril, mas logo foi cancelada. Apostava em capas com medalhões, como Renato Russo e John Lennon, mas não vingou.

Atualmente, a Bravo, também da Abril e a Rolling Stone, franquia americana que sai pela Spring, são exemplares de sucesso nas bancas, trazendo pautas que tentam consolidar novos ídolos nacionais, ao mesmo tempo que contextualizam a velha geração com a cena atual.

No concorrido mundo virtual, a Spin vai ter problemas para despertar interesse entre leitores da blogosfera. Prestígio ela já tem.

Abaixo, capas clássicas da Spin.

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