Tudo muito previsível na edição de 80 anos do Oscar. Praticamente todos os favoritos confirmaram os prêmios. Sem nenhum “Oohhh”, nem “não acredito!”, Onde Os Fracos Não Tem Vez levou Melhor Filme. Os irmãos Joel e Ethan Coen, ainda subiram para receber Melhor Direção e Melhor Roteiro. Javier Bardem venceu como Melhor Ator Coadjuvante.

Sem surpresas, o Oscar seguiu seu velho modelo e fez de sua velha experiência sonolenta, algo ainda mais chato de ver. Num ano com boas produções, faltaram os discursos criativos, momentos de frisson. Ao menos os Irmãos Coen deram um ar “autoral” à festa. Sempre com comentários lacônicos quando subiam para receber as estatuetas, os diretores foram finalmente reconhecidos pela indústria americana, e diferente de Martin Scorcese no ano passado, por um filme no auge da carreira.

Tilda chocada
Quando todos esperavam pelo Oscar de Cate Blachet, a britânicaTilda Swanson vence Melhor Atriz Coadjuvante por Conduta de Risco. A própria atriz ficou surpresa. A Academia perdeu a chance de marcar a atuação histórica de Cate como Bob Dylan. Se Ruby Dee, por O Gangster, tivesse ganho seria um caso de Troféu Pé na Cova, apesar de seu papel como a mãe de Frank Lucas ser memorável.

Diaba
A diaba indie e descolada Diablo Cody venceu como melhor roteirista, desbancando até mesmo o queridinho Tony Gilroy, de Conduta de Risco. Mas, não foi surpresa alguma. Falando em Juno, Ellen Page ficou sem o Oscar de Melhor Atriz que foi para Marion Cottilard, por Piaf – Um Hino ao Amor. “Thank you life, thank you love (sic)”, exclamou emocionada.

Mico musical
Se o Oscar já estava sem graça, o que dizer então de suas apresentações musicais? Encantada foi indicada três vezes, mas não levou. Ganhou a incrivelmente chata “Falling Slowly”, do filme Once. Amy Adams fazendo a encantada no palco com sua voz infantilóide foi constragedor.

Global
Todos os prêmios de atuação foram para atores europeus. Javier Bardem da Espanha, por Onde Os Fracos Não Tem Vez, Tilda, inglesa, por Conduta de Risco, Cottilard, da França por Piaf e por fim, o irlandês Daniel Day-Lewis por Sangue Negro. Cada vez mais a festa do Oscar se torna algo global. Talvez fruto de sua audiência mundo afora (Bardem chegou a agradecer em espanhol), ou até mesmo para se aproximar do cinema autoral e “sério” feito fora de Hollywood.

José Wilker, o crítico

A TV Globo é sádica com o telespectador sem condições de assistir na íntegra na TNT. Começou a apresentação às 23h35, uma hora depois, fazendo sua audiência perder a criativa abertura em animação. Maria Beltrão, mais informada, deu dicas importantes e comentários até pertinentes, mas era apenas a apresentadora. Especial foram os comentários do crítico José Wilker. Além do desnecessário “meu filme preferido é Noviça Rebelde” soltou outras de igual teor. Quando O Ultimato Bourne venceu melhor edição de som, disse: “é, realmente, é um filme barulhento (sic)”. Melhor voltar para Rubens Ewald Filho na TNT, que mais do que os comentários, chama atenção pela quantidade de informação que possui.

Confira a lista completa de vencedores:

Melhor filme:
“Onde os Fracos Não Têm Vez”

Diretor:
Ethan Coen e Joel Coen, “Onde os Fracos Não Têm Vez”

Melhor ator:
Daniel Day-Lewis, “Sangue Negro”

Melhor atriz:
Marion Cotillard, “Piaf – Um Hino Ao Amor”

Ator coadjuvante:
Javier Bardem, “Onde os Fracos Não Têm Vez”

Atriz coadjuvante:
Tilda Swinton, “Conduta de Risco”.

Animação:
“Ratatouille”

Roteiro Adaptado:
“Onde os Fracos Não Têm Vez”, Joel Coen & Ethan Coen

Roteiro Original:
“Juno”, Diablo Cody

Direção de arte:
“Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco Da Rua Fleet” (Dante Ferreti e Francesca Lo Schiavo)

Fotografia:
“Sangue Negro” (Robert Elswit)

Figurino:
“Elizabeth: A Era de Ouro” (Alexandra Byrne)

Documentário:
“Taxi to the Dark Side” (Alex Gibney e Eva Orner)

Melhor documentário (curta):
“Freeheld” (Cynthia Wade e Vanessa Roth)

Montagem:
“O Ultimato Bourne” (Christopher Rouse)

Filme Estrangeiro:
“Die F¤lscher” (“The Counterfeiters”) (Áustria, de Stefan Ruzowitzky)

Maquiagem:
“Piaf – Um Hino ao Amor” (Didier Lavergne e Jan Archibald)

Trilha Sonora:
“Desejo e Reparação” (Dario Marianelli)

Canção:
“Falling Slowly” (“Once”, Glen Hansard e Marketa Irglova)

Curta-metragem de Animação:
“Peter & the Wolf” (Suzie Templeton e Hugh Welchman)

Curta-metragem:
“Le Mozart des Pickpockets” (The Mozart of Pickpockets) (Philippe Pollet-Villard)

Mixagem de Som:
“O Ultimato Bourne” (Scott Millan, David Parker e Kirk Francis)

Edição de Som:
“O Ultimato Bourne” (Karen Baker Landers e Per Hallberg)

Efeitos Visuais:
“A Bússola de Ouro” (Michael Fink, Bill Westenhofer, Ben Morris e Travor Wood)

Oscar Honorário:
Richard Boyle (Diretor de Arte)

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