Resenha: Figueroas traz lambada, brega e carimbó no estilo tiração de onda
NOTA7

A dupla alagoana Figueroas chega com seu segundo disco, Swing Veneno, na proposta de trazer ao pop a lambada que dominou o mainstream no Brasil no final dos anos 1980. Unem ainda nessa vibe o carimbó, a cumbia e o brega. Formado por Givly Simons (vocal) e Dinho Zampier (sintetizadores e arranjos), o Figueroas é pura homenagem à safadeza e malemolência dos ritmos tropicais que sempre fizeram parte do cancioneiro romântico brasileiro.

Givly, que nem era nascido quando a lambada estourou, quer ser o responsável por reinventar o ritmo. Seu disco de estreia, Lambada Quente, viralizou no YouTube e teve uma tiragem em disco esgotada. Para Swing Veneno o leque de ritmos “quentes” foi ampliado e a guitarrada ganhou especial atenção. Eles contaram com um representante autêntico do gênero, Manoel Cordeiro, 59, um dos mais respeitados nomes da música paraense.

Em suas 10 faixas o álbum traz uma produção bastante sofisticada, a cargo de Rodrigo Funai Costa e arranjos que dão um novo gás a esses ritmos dançantes, estridentes e, sim, viciantes. Esse resgate de uma estética esquecida dos anos 1990, no caso da lambada, tem uma proposta interessante de injetar vigor em um ritmo que ainda hoje soa original. Mas a vibe “zoeira”, de não se levar a sério demais, diminui o projeto artístico do Figueroas.

Os anos 10 estão perto de acabar e seguimos celebrando a autenticidade, a diversidade e as coisas que são feitas no calor da verdade individual de pessoas e de grupos. Curtir algo “ironicamente” é algo que vai na contramão dessa ideia. Ok, nada impede que alguém curta o brega raiz das bandas recifenses ou o novo disco de grupos paraenses, mas o som do Figueroas, em alguns momentos parecem talhados para aquelas pessoas que criam playlists no Spotify “Minhas Guilty Pleasure” para ouvirem brega, sertanejo e forró protegidos pelo verniz da ironia. Pode curtir, mas só na tiração de onda.

Por outro lado, sua presença no cenário musical ganha um tom de deboche que soa provocativo, bem-humorado, diferente de qualquer coisa que esteja rolando hoje.

Swing Veneno tem diversos bons momentos como a regravação de “Não Há Dinheiro Que Pague”, de Renato Barros, que ficou famosa na voz de Roberto Carlos nos anos 1960, a bela sacada que é “Lambada das Nações” e a ótima “Melô do Futuro”.

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