Diva pós Guerra Fria, Regina Spektor ultrapassa os limites do público indie

REGINA SPEKTOR
Begin to Hope
[Sire, 2006]

Ela é baixinha, ruiva, rechonchuda e tem traços expressivos. Já teve empregos nada convencionais como assistente de detetive particular e criadora de borboletas. Diferente da maioria de suas atuais colegas, não fuma, não bebe, nem frequenta clínicas de reabilitação. E, além de tudo isso, tem uma bela voz. Esta é Regina Spektor, uma das musas da nova cena independente que começa a ganhar fama além dos limites do público indie.

No CD Begin to Hope, lançado em 2006, mas que só este ano chegou ao Brasil, Regina mostra talento e criatividade em músicas que ultrapassam as fronteiras do pop. “Fidelity”, faixa de abertura do CD, é uma bela canção em que Regina demonstra todo seu potencial vocal ao falar de suas dificuldades em se envolver nos relacionamentos amorosos. Na romântica “Samson”, a interpretação da cantora lembra Fiona Apple, característica que aparece em outras faixas, como as melancólicas “Field Below” e “Lady”. O pop sofisticado de Regina se apresenta nas ótimas “On The Radio”, onde a artista brinca com os vocais numa composição sarcátisca e engraçada sobre o amor e em “Hotel Song”, música em que a cantora nos convida a entrar em seu mundo.

Nascida na antiga União Soviética, ela imigrou aos nove anos para os Estados Unidos onde se instalou em Nova York, mais precisamente no Bronx. Criada numa família de origem judia, a cantora toca piano desde os seis anos de idade. Essa educação musical clássica é perceptível em todo o disco através dos belos arranjos.

O pulo do gato de Regina foi dado quando um de seus CDs caseiros chegou às mãos de Gordon Raphael, produtor do bem sucedido Is This It (2001), trabalho de estréia dos Strokes. Apaixonados pela voz da moça, a banda a chamou para abrir alguns shows da turnê. Foi o que estava faltando para a carreira da artista deslanchar. Sorte dela e nossa. [Gilberto Tenório]

NOTA: 7,5

Sem mais artigos