Pais deveriam acreditar sempre na premissa do bom entretenimento infantil passar pelo que é compreensivo acima de definições como faixa etária.
Adoro quando o meu filho espontaneamente consome coisas lúdicas bem sacadas e também estimulo essa aproximação, prevendo que ele gostará de saber que entrou em contato com arte desde cedo, e arriscando que ele pode ainda não falar muito, nem ler e escrever, mas, de verdade, entende e reproduz mensagens do alto dos seus 16 meses.

A apresentação no Recbitinho do Circo in Bottiglia:Il Transporto Umano (Itália) nesta segunda (15), foi um oásis dentro da previsibilidade um tanto desgastante para os pequenos, grosso modo, debaixo de sol e com som ensurdecedor. A vibe em frente ao Paço Alfândega onde o trio se apresentou foi sentar em roda e assistir uma versão livre de Alice no País das Maravilhas, mas bem livre mesmo, à exceção do nome da personagem, muda, citada cheia de sotaque pelo ilusionista.

Um número de clown quixotesco, despretensioso e sabido, que tem seu maior mérito em não tratar as crianças como ser deficitário em inteligência, inserindo trechos politizados como:
“Barack Obama está no jornal! Ele é o presidente dos Estados Unidos! Ele ganhou um prêmio de sujeito mais bacana do mundo…e acaba de mandar milhões de ursinhos armados para a guerra…” Pois é. Mais adiante, entre truques de mágica, um jornal embebido em uma taça de líquido vermelho e a mensagem: “É o jornal da China”. Eu ri!

No final, das coisas mais prosaicas e marcantes também, que ouvi ultimamente:
“Uma rainha me contou sobre sonhar coisas impossíveis. Ela disse que fazia o exercício de sonhar pelo menos 6 coisas impossíveis antes do café da manhã”. Os pequenos cidadãos, reagiram todos encantados.

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