Lucy and the Popsonics (Foto: Paulo Floro)
Lucy and the Popsonics

Terça maldita e saudosa
Por Paulo Floro e Rafaella Soares, Fotos Paulo Floro

O Rec-Beat viu sua apoteose no show dos mineiros do Pato Fu. Platéia lotada, cantando todas as letras – inclusive do disco novo. Dificil repreender uma apresentação tão segura quanto a de Takai, John e trupe. Tudo muito redondo, perfeitinho e, perdoem o clichê, emocionante. Mas, antes, o festival seguiu uma montanha-russa de êxitos, embalado pela já melancólico clima de último dia de Carnaval.

Os pernambucanos do Bande Ciné tiveram sua prova de fogo, após alguns shows em locais pequenos e foram aprovados pela platéia. Descontado que quase tudo funciona no Carnaval, resta saber se a banda terá força criativa suficiente para cativar com suas próprias composições. Enquanto isso, continuam com suas releituras de música pop francesa dos anos 1960-70. Em um show curto por volta das 19h, o ponto alto foi a canção “Cha Cha Cha Du Loup”.

Les Frerés Guissé (Foto: Paulo Floro)
Les Frerés Guissé

Les Frerés Guissé é a típica banda que carrega os elementos atrativos à maioria das pessoas que se atrai por música vinda de lugares exóticos. Isso explica a frequëncia um tanto riponga perto do palco na hora de sua apresentação. E ainda bem, porque o trio senegalês levou um show azeitado, com a ajuda do público, bastante receptivo aos ritmos de fora.

Dois violões acústicos e uma percussão vigorosa deram o tom para que a platéia dançasse na maior parte do show. Curiosamente, as letras do grupo, em francês, eram repetidas em coro no refrão, criando uma interação até inesperada.

O mesmo não dá pra dizer do Porcas Borboletas, de Minas Gerais. A apresentação foi, no mínimo, constrangedora. Um dos vocalistas, vestindo um shortinho surrado, cantava de uma maneira que deixava em dúvida se sua dicção era ruim ou utilizava uma língua estranha. O grupo tentava emular o estilo caótico e adolescente dos Titãs no início da carreira, mas todos os elementos soavam fake.

Na platéia, um comentário dizia que a Orquestra Tipica Fernandez Fierro (Arg) faria um show perfeito tivesse sido escalada pro Pau Pombo, no Festival de Inverno de Garanhuns. Salvo algumas exceções – como quando uns adolescentes reconhecerem Lirinha na platéia e começaram a assediá-lo, provocando seu afastamento- e pelos gritos de um vendedor de cerveja vulgarizando a interpretação de uma canção de Piazzola, a banda fez um show muito apropriado ao encerramento do carnaval: grande, latino, dramático. E aplaudido. Enquanto a numerosa formação mostrava competência nos acórdeões, o carismático vocalista Walter “Chino” Laborde elogiava efusivamente a cidade e seu carnaval, botando os casais para dançar tango de rosto colado, enquanto muitos contemplavam impressionados suas milongas. Um show intenso e cheio de Olé.

Com um apelo fashion gritante, o Lucy and The Popsonics fez um show cheio de vigor que cativou os modernos que se espremiam na frente do palco. Mistura de punk, electro e pop, as canções da dupla brasiliense funcionam muito bem no palco. É interessante o cuidado estético: num palco minimalista, Fernanda e Pil Popsonic representam uma dicotomia. Ele, fleumático e distante. Ela, esfuziante e muito simpática. No meio disso tudo, um monte de canções dançantes cheio de referências ao mundo nerd e cultura pop. Cantando sobre tamagochis, gatos radioativos e ciborgues, a banda é bem-humorada sem parecer idiota, e original no repertório. Um dos pontos altos do show foi a cover de “Refuse/Resist”, do Sepultura, com o produtor da banda Fabrício Nobre, que soltou gritos guturais de metal.

Com o público espremido no Cais da Alfândega, o Pato Fu inicia sua apresentação já no clímax. Não houve um ponto baixo em todo o show. O motivo foi a escolha da banda em não privilegiar o novo disco Daqui Pro Futuro e passear por hits de toda a carreira.

Pato Fu (Foto: Paulo Floro)
Pato Fu

Banda mineira encerrou o festival com show vibrante e descontraído
Por Gilberto Tenório

A maratona do festival Rec Beat teve fim com o show do Pato Fu, já nas primeiras horas da tão amaldiçoada quarta-feira de cinzas (06). Apesar do horário, o público não arredou o pé da área do Pólo Mangue e conferiu uma apresentação inspirada de Fernanda Takai e sua trupe.

Há cinco anos sem passar pelo Recife, o Pato Fu mesclou no repertório do espetáculo alguns dos hits mais famosos com músicas do novo trabalho, Daqui pro Futuro. Fernanda Takai, com sua simpatia costumeira, interagiu com o público o tempo todo e levantou mesmo aqueles que já estavam com a energia escassa. O ponto alto do show foi quando o grupo executou “Toda cura para todo mal”, faixa-título do seu penúltimo CD.

Brincando com os vocais, Takai fez um carnaval a sua maneira acompanhada dos ótimos músicos da banda. Animada, a vocalista falou sobre a satisfação de estar de volta ao Estado e sobre a estranheza do convite para tocar em plena folia recifense. “Acho que muita gente deve estar dizendo que o Pato Fu veio para desanimar o carnaval do Recife”, brincou Takai. Na seqüência, engatou a música que, nas palavras da própria, é a canção mais ‘carnavalesca’ do Pato Fu, “Depois”. A galera, é claro, cantou junto. A única falha da noite ficou por conta da organização do festival que, sem explicação racional plausível, programou as apresentações da Tenda Eletrônica justamente na mesma hora em que o Pato Fu estava tocando, mostrando assim um tratamento desrespeitoso.

Entretanto, mesmo com essa bola fora, a noite foi muito boa. O show foi uma espécie de aperitivo para os pernambucanos que agora esperam pela passagem da nova turnê da turma. Nesta volta, após tanto tempo, Takai, John e cia mostraram o porquê de serem umas das bandas mais queridas do País.

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