A história do rock no Recife, estrelando, Devotos
Por Paulo Floro. Fotos: Costa Neto/ Divulgação

O primeiro dia do festival começou com duas bandas representativas para o som que está sendo feito no Recife. O Julia Says, dupla eletrônica com apenas quatro músicas lançadas e o Devotos, banda de punk-rock que comemorou vinte anos de carreira em show histórico. De um lado, dois garotos abraçados pelo hype, com idéias interessantes no som, e de outro, Canibal, uma instituição do mangue-beat e tudo que se desenvolveu a partir dele, com um carisma que contaminou o público, celebrando em frente ao palco em uma gigantesca roda pogo. .

Júlia Says (Foto: Costa Neto/ Divulgação)

O Julia Says foi a segunda banda a tocar, após o reggae sem muitas inovações do Ramma Seca (fico incrível com a criatividade dos nomes). Pauliño e Diego chegaram meio tensos no início da apresentação, mas conseguiram superar o nervosismo após “Mohamed Saksak” o hit da banda. Vestido de Peter Pan, Pauliño tentava disfarçar com envergonhadas saudações após cada música. Com poucas músicas no repertório, os garotos mandaram bem com as versões para “Galang” de M.I.A. e “Feel Good Inc.”, do Gorillaz. Isabel, da banda Erro de Transmissão foi chamada para cantar “Eis A Canção” e estava graciosa, passeando de borboleta entre o jardim montado no palco pela banda. Julio Ferraz, do Novanguarda apareceu no final para cantar pela segunda vez “Mohamed Saksak”, fixando na platéia o primeiro “sucesso” do grupo. O Julia Says legitimou o hype que recebeu e, até o momento, é a mais bem acabada experiência de música eletrônica/rock na cidade.

Os cariocas do Os Outros fizeram um show irrepreensível, mas faltou um detalhe que chamasse atenção num show tão reto. Os destaques ficaram por conta de “Agora Ninguém Chora Mais”, de Jorge Benjor, numa versão que fez a platéia participar do show, enfim. Para muitos passou batido.

Do nada, rastas e dread-locks tomaram conta da platéia. Era o Ras Bernardo e QG Imperial a adentrar o palco. Ras, primeiro vocalista do Cidade Negra, antes da banda deixar de representar alguma coisa para a música pop brasileira, foi reverenciado por todos. O poder da sua voz, encorpada e alta resgatou todos os principais hits do Reggae. No final da apresentação, chamou Canibal do Devotos e mandou “Punk Rock Hardcore Alto José do Pinho”.

Ras Bernardo e Canibal (Foto: Costa Neto/ Divulgação)

Mais uma mudança de público era o sinal que o Devotos iria começar. A grande estrela da noite, comemorando vinte anos de carreira, Canibal tinha um magnetismo que o tornava quase imponente. “Quase”, pois nunca uma banda foi tão próxima de sua platéia. Cantando em um microfone estilo crooner, ele falava antes de cada música, inclusive para pedir que todos brincassem em paz. Outra atração do show era a roda punk que se formava em frente ao palco. Apenas dois focos de briga ameaçou se desenvolver, mas não foi adiante. Todos estavam mesmo celebrando no pogo ao som de clássicos como “Brincando do Jeito Que Dá”, “Eu Tenho Pressa” e “Roda Punk”. Clemente, do Inocentes foi o convidado especial do show e dividiu o set list com músicas do Inocentes e Devotos, tendo o ponto alto em “Punk Rock Hardcore”.

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